Sabrina Noivas 38 - Accidental Bride

Um casamento no outono, com um cowboy! Foi esta a previso que uma cigana fez para o futuro de Blair. Mas obviamente a mulher era uma farsa: Blair j estava noiva, seu casamento j estava marcado para o vero e seu noivo no era um estranho de cabelos escuros. O futuro de Blair j estava programado e deveria permanecer assim at...At Brad Barclay despencar em sua vida. Os olhares ousados e sexyes daquele cowboy fizeram a noiva estremecer e esquecer seus planos. De um momento para o outro, Blair se deu conta de que estava sonhando de olhos abertos com o dia em que entraria na igreja... mas no com seu atual noivo...

Digitalizao e Correo: Nina

Srie Noiva Acidental

Ordem	Ttulo	Ebook	Data
1	Accidental Bride
Sabrina Noivas 38 - 
Uma Noiva Em Apuro	Mar-19952	Hesitant Husband

	Jun-1995
    

Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1996
Publio original: 1995  
Gnero: Romance contemprneo
 Estado da Obra: Corrigida


















PRLOGO

Tudo comeou como uma brincadeira. Blair Conover entrou, rindo, na vistosa tenda de Madame Morova por insistncia de Derek, seu noivo. Misteriosamente, no interior sombrio da tenda no ouvia mais os sons do parque de diverses em que se encontrava.  Por favor... sente-se.
Blair teve um sobressalto. A voz feminina que vinha das sombras era grave e rouca.
	Hum... sim. Obrigada.
Havia uma pequena mesa redonda coberta com um pano vermelho, entre duas cadeiras antigas de madeira. Blair acomodou-se na que ficava mais perto da sada.
Uma mulher emergiu das sombras, os cabelos cobertos com um leno de um azul escurssimo. Os olhos tinham muita maquiagem; ela usava uma enorme quantidade de jias de ouro. Ou melhor, ela pensou, de bijuterias.
Madame Morova ocupou a cadeira oposta, colocou as mos espalmadas sobre a mesa e sorriu.
	Voc  uma jovem muito bonita. Coloque suas mos
sobre as minhas.
Sorrindo timidamente, Blair obedeceu. As mos da cigana eram quentes e macias. Madame Morova fechou os olhos e Blair mordeu o lbio, ligeiramente nervosa.
	Vejo um importante acontecimento no seu futuro...
um casamento.
Blair conteve o riso. A mulher obviamente percebera seu anel de noivado.
	Vejo folhas... folhas vermelhas e amarelas. Ser um casamento no outono.
	No  Blair retrucou.  Meu casamento est programado para...
	Por favor, no diga nada  a mulher a repreendeu, e Blair calou-se.  Um casamento no outono e... sim, um noivo bonito, de cabelos escuros. Ele... ele...  Madame Morova abriu os olhos.  Ele  um estranho, mas voc o conhecer brevemente.
Bem, pensou Blair, aquele fora o dinheiro mais mal gasto de sua vida. A mulher estava redondamente enganada: seu casamento seria no ms seguinte, em um dia ensolarado de agosto; e Derek Kingston, seu noivo, era loiro e tinha olhos claros.
	Obrigada  ela disse friamente, preparando-se para sair.
	Voc no acreditou em mim porque j h um homem em sua vida  Madame Morova prosseguiu.  Um homem conhecido, acomodado e seguro.
Blair afundou-se na cadeira.
	Voc est assustada. Perdoe-me, no foi essa a minha
inteno.
	Estou noiva, Madame Morova, e meu noivo est me esperando l fora. Nenhum estranho vai aparecer para destruir nossos planos.  Blair ergueu-se, altiva.  De qual quer forma, muito obrigada.
Ela esgueirou-se para fora da tenda, segurou Derek pelo brao e afastou-se rapidamente.
	Ela  uma farsa, Derek.
	Querida, sinto muito. O que houve l dentro?
	Ela disse... Ora, nem vale a pena comentar.  Blair sorriu.  Voc no vai me oferecer um algodo doce?











CAPITULO I

Blair dirigia seu carro na rua principal de Houghton. Naquele dia, a rua sempre calma dera lugar a um movimento nunca antes visto. Estava se realizando uma conveno poltica, e este era o motivo pelo qual a populao parecia ter dobrado de tamanho. As ruas enchiam-se de pessoas e carros, tornando o acesso a qualquer lugar muito difcil. Blair s interessava fazer compras, uma vez que no votaria no candidato para o qual se promovia a conveno.
Como funcionria do setor de emprstimos do maior banco da cidade, tinha um cargo de responsabilidade que, alm de ser agradvel, era bem remunerado.
O Houghton Security Bank tinha um volume respeitvel de transaes, principalmente porque havia muitas grandes fazendas nos arredores e nas cidades vizinhas.
A rua principal possua trs semforos. No primeiro, que estava vermelho, Blair freou, abaixando a cabea para olhar pela janela do passageiro. A melhor butique da cidade, a Redfern's, exibia em sua vitrine um vestido branco e preto que merecia um exame cuidadoso.
Uma buzina soou, e Blair se deu conta de que o sinal abrira. Com um aceno, ela se desculpou ao motorista que estava atrs.
Assim que passou o segundo farol, ela comeou a procurar com os olhos um lugar para estacionar. Por essa razo, no viu que o terceiro semforo mudara para vermelha no ltimo instante.
Houve tempo para uma freada brusca, mas em seguida o barulho da batida e um forte solavanco assustou-a. Um pouco atordoada, mas ilesa graas ao cinto de segurana, Blair permaneceu sentada.
Algum abriu a porta de seu carro.
	Voc est bem?
	Eu... acho que sim. Quem bateu no meu carro?
	Eu bati. Tem certeza de que est bem?
	J disse que sim! Por que bateu no meu carro?
O homem empertigou-se e falou, cheio de sarcasmo:

	Ora, eu estava passando por aqui e pensei com meus botes: o que posso fazer para tornar este dia perfeito? J sei; vou bater no carro do primeiro que me aparecer.
	No zombe de mim!  Livrando-se cinto de segurana, Blair saiu furiosa do automvel.  Foi voc mesmo que bateu no meu carro! Vai levar uma multa, moo, e ainda ter de pagar pelos estragos!
Bufando, Blair foi verificar a traseira de seu Ford. Levou as mos  cabea quando viu os faris quebrados e o porta-malas amassado. Algumas pessoas conhecidas se aproximaram.
	Joe, voc o viu bater no meu carro?
Joe Whitley coou a cabea.
	Bem, Blair, eu s pude escutar o barulho da batida.

	Algum viu quando parei no sinal vermelho e fui abalroada por este maluco?
	Quer se acalmar, por favor?
Blair voltou-se bruscamente para encarar o responsvel por seus nervos estarem  flor da pele.
	No me pea para me acalmar! Voc arruinou meu carro, seu... seu maluco!
Bradford Barclay, ou Brad, como preferia ser chamado, no pde deixar de rir. Apesar do gnio terrvel, ela era linda. Os cabelos eram longos e encaracolados nas pontas, os dentes, brancos e perfeitos, brilhavam quando ela falava, ou esbravejava. Os olhos verdes continham mais vida do que se poderia imaginar. "E esta linda mulher est irada por minha causa!", pensou ele.
_- Vou pagar o conserto de seu carro  ele assegurou.
_ Preciso de um guarda!  exclamou Blair.  Algum viu Brock Williams ou Sonny Kelso?
Joe Whitley levantou a mo timidamente.
_- Brock e Sonny esto no parque, Blair.
	Era o que me faltava!  Com as mos nos quadris, ela encarou Brad novamente.  No vamos tirar os carros daqui at que um dos guardas veja o que voc fez, entendeu?
O trnsito estava ficando infernal. Brad olhou em volta e comentou.
	No podamos ter escolhido um melhor dia para um acidente, querida.
	Voc deveria ter pensado nisso antes de destroar meu carro, moo. E no me chame de "querida"!
	Moa, ser que voc ao menos olhou para a rua nos ltimos quatro quarteires? Voc admirava as vitrines, as pessoas, a paisagem... No costuma vir  cidade? Est encantada com a civilizao?
	Eu moro na cidade! Qual  o seu nome? E qual  a sua companhia de seguros?
	Meu nome  Brad Barclay, e no momento estou sem seguro.
Blair olhou Barclay de alto a baixo. Ele era alto e esbelto, quase magro. Seu jeans era surrado, como as botas. Os cabelos negros e rebeldes certamente precisavam de um bom corte; seus olhos eram de um azul intrigante. Sem dvida, estava olhando para o homem mais atraente com quem j se deparara.
Subitamente, lembrou-se das previses da cigana; seria possvel levar tais delrios a srio? Sim, aquele homem era atraente; mas, como ele, havia milhares de homens morenos e atraentes no mundo!
	Ora, por que no me surpreende o fato de voc no ter seguro?  ela comentou, cora sarcasmo.
	Qual o seu nome?
	Voc bateu no carro de Blair Conover  ela respondeu friamente.
Brad sorriu com afetao.
	Devo ficar impressionado?
Percebendo o quo presunosa parecera, Blair enrubesceu. Estava muito zangada, e aquele homem s fazia aumentar seu nervosismo.
	Oua, eu estava a menos de trinta quilmetros por hora  Brad argumentou.  No esperava que voc brecasse to repentinamente.
	Qualquer imbecil poderia ver que o sinal estava vermelho.
	No sou imbecil, Blair Conover.
O tom de voz de Brad fez com que ela se desse conta do que ocorria a sua volta. As pessoas j estavam se dispersando, e ela sentiu-se envergonhada por atrapalhar o trnsito.
	Bem... acho que Brock e Sonny esto ocupados no parque  disse polidamente.  Gostaria de ficar com o seu endereo e o nmero de seu telefone.
	Voc tem caneta e papel?
Blair entrou no carro, tirou uma folha de um caderno de anotaes e uma caneta de dentro da bolsa.
	Aqui est.  Ela os entregou a Brad.
	Obrigado.  Colocando o papel sobre o capo do carro de Blair, ele escreveu seu nome e endereo. Depois, devolveu a caneta e o papel, sorrindo maliciosamente.  Pelo menos bati no carro de uma garota bonita.
Blair empertigou-se.
	A adulao no vai fazer a menor diferena, sr. Barclay. Assim que souber quanto custar o conserto, vou telefonar.
	Mal posso esperar.
Blair fulminou-o com o olhar antes de entrar no carro. Estava estressada e precisando de um bom banho de banheira antes que Derek chegasse para jantar. Obviamente, sua tarde de compras acabara.
O passado e o presente passavam pela mente de Blair enquanto ela relaxava na gua morna da velha e grande banheira, no nico banheiro de sua casa.
Vivia naquela casa desde os oito anos. Mitch, seu irmo, tinha naquela poca onze anos, e as duas crianas estavam se recuperando da morte recente do pai. Para retomar a vida, a me, Cheryl, aproveitara a modesta quantia que recebera do seguro para comprar uma pequena casa, e fora trabalhar numa mercearia para garantir-lhes o sustento.
Mitch e Blair cresceram rapidamente, e logo comearam a~procurar emprego para poder conseguir o que o dinheiro da me no podia comprar. Blair conhecia bem o sentido da palavra trabalho: durante o primeiro grau, trabalhara como baby-sitter. No segundo grau, aceitava o que aparecia no comrcio local; havia sido organizadora de estoque, vendedora e garonete.
Quando comeou a fazer alguns trabalhos burocrticos, lanando notas fiscais em um livro-razo, sentiu-se instigada a direcionar seus estudos para a rea administrativa. E, principalmente porque sua famlia sempre vivera de seguros, sentiu que essa era a sua rea de interesse.
Durante a juventude de Blair, Derek Kingston desempenhou um papel secundrio em sua vida. Mitch e ele eram muito amigos, estavam sempre juntos; mas o irmo acabou interessando-se por mecnica, enquanto Derek optou pela carreira acadmica. Blair respeitava a escolha do irmo, mas, pessoalmente, considerava a de Derek muito mais interessante. Ela prpria no tinha qualquer interesse em dar aulas, mas sentia que os professores sempre eram figuras respeitadas na comunidade.
Quando Derek formou-se na faculdade e voltou para le-cionar para a quinta srie em Houghton, comeou a frequentar a casa dos Conover novamente. J naquela poca, Mitch passava muito tempo em Seattle, fazendo a manuteno dos carros de uma grande empreiteira, e Blair viajava diariamente para Billings, onde terminava seu curso de administrao de-empresas.
Pela primeira vez, Blair considerou atraentes os cabelos loiros e o porte ereto de Derek. Ficou encantada ao perceber
que ele visitava a casa mais para v-la do que para encontrar-se com Mitch.
O relacionamento cresceu rapidamente. Derek era uma excelente companhia, alm de ser muito bonito. Ela apreciava a maneira sutil com que ele estava conduzindo o romance. Ele sabia que Blair tencionava dedicar-se a sua carreira, e nunca props um casamento prematuro. Tampouco, quando comearam a fazer planos para o futuro, ele exigiu que ela parasse de trabalhar.
Mas, nessa poca, Cheryl comeou a ficar doente. Quando seu estado de sade piorou, Blair e Derek se aproximaram ainda mais. Ele sempre estava prximo quando Blair precisava de um ombro amigo.
Enfim, o pior aconteceu. Cheryl Conover faleceu em um hospital de Billings. Os filhos ficaram desolados, mas Blair consolou-se com o fato de a me no estar mais sofrendo. Poucas semanas depois, Mitch anunciou que passaria a trabalhar permanentemente em Seattle, e mudou-se para Costa Oeste. Blair terminou seu curso e conseguiu emprego no Houghton Security Bank.
Durante trs anos, a vida correu sem sobressaltos. Blair, de posto em posto, subira em sua profisso; e agora, aos vinte e quatro anos, tinha um cargo de responsabilidade em um banco respeitado.
Derek e Blair finalmente marcaram a data do casamento. Blair sabia que quase ningum na cidade acreditava que eles ainda no haviam dormido juntos; mas essa era a verdade. Escolhera permanecer virgem simplesmente porque no queria correr riscos. "Tudo tem seu tempo", como costumava dizer.
Derek concordara com a vontade de Blair quanto a uma noite de npcias muito especial. Planejaram uma lua-de-mel de duas semanas no sudeste da Califrnia, para a qual j tinham todo o dinheiro reservado. Uma coisa deixava Blair tranquila: o fato de Derek no ser um esbanjador.
O futuro parecia seguro, e isso deixava Blair satisfeita. Ela e Derek morariam na casa dela, e Mitch at gostara
da ideia. Sempre teria a casa da famlia para passar alguns dias quando viesse de Seattle.
Mas o presente lhe apresentava um pequeno problema. Na segunda, teria de relatar o acidente  sua companhia de seguros. De qualquer forma, Brad Barclay teria que arcar com cada centavo do conserto.
Depois de secar-se, Blair vestiu uma saia, uma blusa de linha e sandlias. Depois de ter passado um pouco de maquiagem, penteou as pontas encaracoladas de seus cabelos com as pontas dos dedos e foi para a cozinha cuidar do jantar.
Derek chegou pontualmente, como sempre, e beijou-a com ternura, mas pouca paixo. Ela fitou os olhos magnficos de seu noivo e deu graas a Deus pela sua sorte.
	Uma caminhonete entrou na traseira de meu carro hoje  tarde na Rua Principal.
Derek ficou srio.
	Voc se feriu?
	No, mas meu pobre carro ficou avariado.
	Vou dar uma olhada.
Blair o seguiu at a garagem. Derek fez uma careta ao ver o estrago.
	Voc j tratou do boletim de ocorrncia, claro.
	Hum... Brock e Sonny estavam no parque. O trnsito estava um horror, ento...
Derek no pareceu satisfeito.
	Voc conhece a pessoa que bateu em seu carro?
	No, mas tenho o endereo e o nmero do telefone dela.
	E o nome da companhia de seguro?
Ela ficou desconcertada.
	Derek, ele se chama Brad Barclay e no tem seguro.
Ele disse que vai pagar o conserto e eu deixei bem claro que vou cobrar isto dele.
	J entendi... Eu deveria estar junto.
Para fazer o qu? O que voc poderia ter feito que eu no faria?
	Voc anotou o nmero da chapa do carro desse tal de Barclay? Pediu para ver a carteira de motorista?
Blair empalideceu.
	Hum... no.
	Eu sei o que aconteceu, Blair. Voc simplesmente ficou zangada, no foi?  Derek sorriu paternalmente.  Bem, agora est feito, e no se pode tomar providncia nenhuma durante o fim de semana. Na segunda, comunique tudo  companhia de seguro. Eles sabero o que fazer.
Sentindo-se como uma criana indefesa, Blair deixou que Derek a conduzisse at o interior da casa, onde a envolveu em seus braos. Ela ficou tensa enquanto ele a abraava.
Ento ele desceu as mos para os quadris de Blair. Ela sentiu que ele colava seu corpo forte contra o dela. Rapidamente se afastou.
	Tenho que dar uma olhada no jantar.
No era todo dia, mas de vez em quando Blair sentia o desejo de Derek. Ela sempre ficava um pouco nervosa, pois queria esperar pela noite de npcias.
Por outro lado, j estava cansada de sempre dizer no; afinal, amava Derek. Quando ele entrou na cozinha, ela disse, gentilmente:
	S faltam mais trs semanas, Derek.
	Eu sei, Blair. Esquea. O que est preparando para o jantar?
Depois do jantar, sentaram-se no quintal dos fundos, abraados. Ficaram conversando amenidades, mas Derek percebeu que ela estava distante.
	Est aborrecida com alguma coisa, Blair?
	Meu carro. Se lev-lo para o conserto na segunda, ser que ele fica pronto para o fim de semana?
	E possvel.  s pedir para Duane apressar o conserto.
	Derek, se no ficar pronto, posso usar seu carro no sbado?
	Hum... acho que posso lev-la at Billings.
No era a primeira vez que ela percebia a relutncia de Derek em compartilhar seus bens com ela. Ficou remoendo se deveria reclamar disso. Afinal, ela e Mitch sempre compartilhavam tudo, sem reservas. Por que deveria aceitar menos de seu futuro marido?
Mas Blair preferiu ficar calada. Derek tinha tantas outras qualidades que no poderia ser condenado por um simples defeito.
Ento, enquanto estavam ouvindo o som dos grilos, Blair pensou em Brad Barclay. Havia algo de selvagem e indomvel naquele homem, e ele era, inegavelmente, muito atraente. Pelo endereo, devia morar na rea rural. Provavelmente era um vaqueiro.
De uma coisa estava certa: Brad Barclay e Derek Kingston eram to diferentes quanto a noite e o dia.
Derek e blair se conheciam h muito tempo, e ela o amava de todo o corao. Mas por que no estava to ansiosa quanto seu futuro marido por ver chegar a noite de npcias? Por que no tremia ao ser tocada por Derek, como ele tremia por ela?
Blair observou demoradamente o semblante do rapaz que estava a seu lado. Depois, disse:
	Voc vai mesmo ao leilo perto de Miles City amanh?
	Sim. No mudou de ideia a respeito de ir junto?
Blair balanou a cabea.

	Tenho de conversar com Katie McPherson a respeito do bolo e fazer mais um ajuste no vestido.
	Bem, devo chegar a tempo de jantar amanh  informou Derek.  Vamos comer fora?
Blair sabia que ele detestava comer fora, principalmente nos restaurantes de Houghton. Porm, apesar de considerar bem-vinda uma mudana de programas, Blair resignou-se:
	Vamos comer aqui mesmo  ela disse, para alvio de Derek.
	Bem,  melhor eu ir andando  ele disse.  Est ficando tarde.
No passava das dez, mas Blair sentia-se exausta.
	Acompanho voc at o carro.
Ao receber um longo beijo de boa-noite, ela percebeu, com certo espanto, que quase no sentia nada quando Derek a beijava. Como podia am-lo e sentir-se dessa forma? No entanto, ela esperava comear a ter sensaes diferentes depois que fizessem amor. Talvez a paixo adulta tivesse outra dimenso.
Enquanto via o carro de Derek desaparecer na rua, a mente de Blair era invadida outra vez pela imagem de um homem com cabelos revoltos e um sorriso petulante.

CAPITULO II

Na manh seguinte, Blair, pela janela, viu que dois homens se aproximavam de seu porto. Um deles era um tanto gordo e usava um chapu de caubi. O outro era Brad Barclay.
"Graas a Deus, j estou vestida", pensou. Deixou que batessem  porta duas vezes antes de atender, com ar deliberadamente frio.
	Sim?
	Oi!  Brad cumprimentou-a com um largo sorriso.
Blair Conover estava belssima naquela manh, com short verde-claro e blusa sem manga.  Lembra-se de mim?
Blair revirou os olhos.
	Como poderia esquecer?
	Preciso de um favor.
Blair olhou para o cho e balanou a cabea.
	Voc veio me pedir um favor?  Ela olhou para o outro homem, que sorria.  Voc tambm precisa de um favor?
Corando, o companheiro de Brad respondeu:
	No, moa. Estou aqui por causa do Brad.
Blair voltou-se para Barclay, procurando no prestar ateno s linhas perfeitas daquele rosto intrigante.
	Qual o motivo da sua visita?  ela perguntou rispidamente.
	Trouxe o velho Sam aqui para dar uma olhada no seu carro.
	Por qu?
Porque ele  um lanterneiro de primeira linha e eu gostaria de ouvir a opinio dele.
	Ora! Voc trabalha para Duane Kemp, Sam?
	Oh, no  ele respondeu com um sorriso tmido.  Eu trabalho para o Brad.
Blair fitou friamente o homem mais alto e mais jovem.
	Somente um profissional vai tocar em meu carro, Sr. Barclay.
	Evidentemente; e eu lhe trouxe o melhor, minha cara 	Brad respondeu gentilmente.  Ele pode dar uma olhada no carro, no pode?
	Por que deveria permitir?
Blair apoiou-se na porta e pensou por alguns instantes. Disse, finalmente:
	Tudo bem. Vou abrir a porta da garagem por dentro. 	E fechou a porta da frente na cara de Brad Barclay.
Os dois homens dirigiram-se  porta da garagem.
	Puxa, BradL segredou Sam Potter.  Ela ainda  mais bonita do que voc tinha falado. Mas parece que no gosta muito de voc..
	Tenho minhas dvidas  declarou Brad, com um sorriso malicioso.  Aposto que posso faz-la gostar de mim, e muito.	.
	Aposto que no.
	Quanto?
	Hum... vinte.
	Est feito.
Sam ajeitou o cs da cala na sua considervel cintura.
	Como vamos saber quem ganhou?
Brad no pde deixar de sorrir.
	Quando for sair com ela pela primeira vez, eu lhe digo aonde vamos, para que, "por coincidncia", voc tambm esteja no lugar. Que tal?
Sam meneou a cabea afirmativamente:
	Combinado.
A porta da garagem comeou a subir, e Blair apareceu.
	Faa a sua inspeo, sr. Barclay, mas no demore.
Vou precisar do carro em dez minutos.  Ela voltou-se para sair.
	No fuja, querida!  Brad disse, num tom de voz provocante.
Blair parou abruptamente, voltando-se para ele:
	No estou fugindo, sr. Barclay, e no gosto quando
me chamam de "querida".
	E to difcil lembrar o meu nome, meu anjo? Ningum me chama de "senhor".
Blair no sabia o que era mais irritante em Brad Barclay: seu sorriso petulante ou sua postura machista. Por outro lado, tratava-se de um homem muito interessante, muito sensual; para no sucumbir aos seus encantos, Blair procurou pensar em Derek.
	No h motivo algum para nos tratarmos pelo primeiro nome, sr. Barclay.  Dizendo isso, retirou-se para dentro de seu quintal.
Naquele dia, ela precisava ir discutir com Katie McPher-son os detalhes da decorao do bolo de seu casamento. Era nisso que estava pensando quando ouviu:
	Lugar bastante interessante este seu quintal.
Blair voltou-se como um raio:
	Sr. Barclay! Meu quintal no  nenhuma praa pblica. Pensei que quisesse inspecionar meu carro.
	O velho Sam veio inspecionar seu carro  Brad lembrou, com ar despreocupado.  A vista aqui  fantstica. Foi voc que plantou tudo isso?
	Minha me.
	Ah, voc mora com sua me...
	Minha me morreu, sr. Barclay. Eu moro sozinha.
	Sinto muito por sua me, Blair, mas confesso que no sinto nem um pouco por voc morar sozinha.  O sorriso malicioso de Brad despontava novamente em seu rosto.  Eu gostaria de conhec-la melhor, anjo.
Blair sentiu um calor subir pelo corpo.
	Estou noiva e vou me casar, sr. Barclay, dentro de trs semanas.
Ela ficou intimamente satisfeita ao perceber que ele perdera a pose. Isso porm durou pouco:
	Quer dizer que no tenho muito tempo.
	Para fazer o qu?  ela indagou rispidamente.
	O que voc est imaginando?
Enrubescida como nunca havia ficado em sua vida, Blair disse-lhe:
	Eu acho que voc  um tipo rude e... inconveniente!
A voz de Sam cortou de repente o ar:
	Ei, Brad!
	Estou aqui nos fundos!
Sam dirigiu-se ento aos fundos.
	O que est fazendo aqui atrs?
Brad no afastava os olhos de Blair.
	S estamos conversando. Ele voltou-se para o amigo.  O que me diz a respeito do carro desta moa bonita?
	Vai dar trabalho para consertar, se vai. E lhe custar cerca de novecentos dlares.
Brad suspirou.
	Era o que eu imaginava. Sam, por que voc no espera no carro enquanto eu converso com a moa?
	Claro, Brad.
Blair suspeitou que aquela fosse uma jogada combinada.
	Quero deixar bem claro que meu carro s ser consertado por um profissional, entendeu, Brad?
	Est vendo? No foi to difcil chamar-me pelo meu primeiro nome.
	E no perca seu tempo com galanteios! A nica coisa que me interessa em voc  o seu talo de cheques!
	Para ser honesto, querida... meu saldo hoje s d para um cafezinho.
	No tem dinheiro para o conserto, tem?
	Hoje, sinceramente, no. Gostaria de fazer um trato com voc.
	Sem tratos! Vou relatar este fiasco  minha companhia de seguros amanh de manh, e espero que eles cuidem para que voc seja preso!
	Blair?  disse ele, num tom de voz to carinhoso que a fez arrepiar-se.

	O que foi agora? Voc vai mesmo insistir nos procedimentos de praxe quando posso providenciar um conserto de primeira que no custar um dinheiro que no tenho?
Pela primeira vez ele pareceu humano aos olhos dela.
	Hum... minha companhia de seguros vai pagar a conta se voc no puder.
	Mas no sem antes vir atrs de mim. Companhias de seguros no pagam se no tiverem que pagar, anjo.
Pelo que sua famlia sofrera no passado, Blair sabia o que era ter problemas financeiros. Por outro lado, Derek ficaria uma fera se ela no usasse os procedimentos habituais; alm do mais, ela prpria gostava de se guiar pelas regras.
Blair correu discretamente os olhos pelas roupas limpas, mas inegavelmente surradas, de Brad. O jeans desbotado com alguns furos amoldava-se ao corpo esbelto. A camisa clara obviamente j sobrevivera a muitas lavadas.
Mas foi a splica naqueles olhos de um azul profundo que desarmou Blair.
	Voc  um homem inescrupuloso  ela murmurou.  Mas qual  a sua proposta?
	Eu sabia que voc tinha um corao doce assim que coloquei os olhos em voc, meu anjo.
	No vai me dizer qual  a proposta?
	Bem, o trato  este: eu levo o seu carro at minha casa, onde Sam poder consert-lo. L ele tem as ferramentas adequadas e...
	Sua casa! Eu nem sei onde voc mora!
	Eu j lhe dei meu endereo. Pensando melhor, por que voc no leva o carro at l? Terei o maior prazer em traz-la de volta.
O assunto estava comeando a lhe dar nos nervos. O que fazer se o sujeito no tinha um tosto furado no momento? Seria justo deix-lo  merc da companhia de seguros? No desejava v-lo s voltas com a lei por sua causa.
Por outro lado, como poderia entregar a chave de seu carro a um estranho?
	Preciso pensar  ela decidiu.  Posso lhe telefonar amanh? Voc vai estar em casa?
	Certamente.
Blair jogou o cabelo para trs, um gesto que o encheu de fascinao.
	Hum... s para saber: Sam conseguir terminar o conserto at o final da semana? Preciso ir at Billings no sbado.
	Imagino que sim  ele respondeu distraidamente, percebendo, hipnotizado, o modo como ela enrolava uma mecha de cabelo entre os dedos.
	E voc tem certeza de que ele far um bom trabalho?
	Sem dvida alguma. O velho Sam trabalhou numa oficina de lanternagem por dois anos. E um profissional.
Derek vai odiar isto, Blair pensou, franzindo a sobrancelha.
Repentinamente, ocorreu a Brad que ele no dera a Blair chance de pensar. Claro, precisava convenc-la a entrar num acordo, pois estava sem dinheiro. Mas, de um momento para o outro, desejou explicar a ela por que no tinha dinheiro, por que no renovara sua aplice de seguros.
Ela no era apenas bonita. Era a criatura mais suave e sexy que j vira.
"Barclay!", ele pensou, meio transtornado. "O que est acontecendo? V com calma, homem."
	Tenho uma ideia melhor  ele disse, porm sem qualquer sinal de petulncia.  Ligue para a sua companhia de seguros amanh, como voc planejou. De qualquer forma, precisa relatar o acidente para no perder a cobertura. Diga-lhes que o culpado pelo acidente prometeu consertar o carro, mas, se ele no o fizer, voc voltar a entrar em contato. Depois ligue para mim. Posso vir buscar o carro, ou, se preferir, voc o leva  minha casa amanh  noite.
Blair ficou surpresa. Diante de seus olhos, Brad Barclay transformara-se em uma pessoa decente. A mudana atingiu-a diretamente no corao.
Ela jamais vira um homem com olhos to profundamente azuis, ou com uma boca que quisesse tanto beijar. As sensaes que Brad Barclay lhe despertava eram novas; Derek nunca a fizera sentir-se assim.
	Blair?
	Sim?  ela respondeu, quase ofegante.
Brad deu um passo adiante, como que sugado por algum estranho magnetismo.
	Oua... preciso lhe explicar algo e...
	No... por favor.  Blair retrocedeu um passo e encostou-se na porta de tela.  Ligo para voc amanh. Adeus.
Ela entrou na casa correndo, ainda sob o forte impacto do olhar de Brad.
Tremendo, ela foi at a janela da sala, onde poderia olhar sem ser vista. Brad contornou a casa lentamente, atravessou o pequeno gramado da frente e subiu na sua caminhonete
	A aposta est suspensa, Sam  Brad disse rispidamente.
	Mas como?
Brad deu a partida.
	No quero falar a respeito.
Sam sorriu satisfeito.
	J perdeu a aposta, mas no quer admitir.
 Esquea!  Brad vociferou.
	No precisa ficar deste jeito.
Derek chegou  casa de Blair por volta das sete. Depois de abra-la e beij-la, disse-lhe:
	Sinto muito. Estou atrasado.
Blair estava agitada desde a visita de Brad.
	No preparei nada, Derek. Gostaria de sair e fazer algo divertido.
	O que, por exemplo?
Ela viu a expresso desencantada de Derek e perdeu o entusiasmo.
	Esquea. Ainda tenho um pouco de peru defumado. Vamos fazer alguns sanduches.
Derek animou-se.
	Seria timo, benzinho. Mas voc tem certeza? Se realmente quer comer fora...
	No, tudo bem. Venha comigo at a cozinha. Comprou alguma coisa hoje no leilo?
Derek acomodou-se em um dos bancos do balco.
	Nem pensar. Os livros estavam em petio de misria; foi perda de tempo. 
	Sinto muito.
	Voc j decidiu a decorao do bolo com Katie?
	Sim, e provei novamente o vestido.
Derek sorriu.
	Aposto como  lindo.
	 um sonho.
Millie Dodge superara-se, compondo o corpo do vestido com um padro difcil, bordando a renda com pequenas prolas e fios de cetim.
	Voc no me parece muito bem  Derek observou.  Algo errado, querida?
Melancolicamente, Blair reconheceu que Derek j no era mais a pessoa com quem podia falar livremente. Algo mudara desde que marcaram a data do casamento. Sabia que Derek iria reprovar sua atitude e decidiu evitar o assunto. Quantas vezes j fizera isso sem perceber?
	Blair? Voc est bem?  Derek insistiu.
	Estou bem. S um pouco cansada.  Outra mentira.
Na verdade estava impaciente, inquieta.
	Bem, ento no vou me demorar, para que voc possa ir dormir cedo.
Derek cumpriu o prometido. Depois de conversarem sobre o leilo enquanto comiam os sanduches, eles lavaram os pratos e se despediram. No ltimo minuto, Blair sentiu-se assaltada pela culpa e passou os braos ao redor do pescoo de Derek.
Ele correspondeu dando-lhe um longo beijo, durante o qual Blair esforou-se por s pensar em prazer e afeio.
No entanto, ao fechar os olhos s conseguia ver Brad Barclay. Ela afastou-se bruscamente.
	Boa noite, Derek.
Ele franziu o rosto.
	Voc realmente est cansada, no est? Blair, tem certeza de que no se machucou no acidente de ontem?
A preocupao do noivo aumentou-lhe o sentimento de culpa.
	Tenho certeza. Provavelmente estou preocupada com as providncias para o casamento. So muitos detalhes e no posso me descuidar de nenhum.
 Voc est se saindo muito bem, querida. Nosso casamento vai ser o acontecimento de Houghton.  Sorrindo, Derek deu-lhe um beijo breve e inocente.  Durma bem. Amanh voc estar nova em folha.
Depois de ter passado algumas roupas para a semana, Blair ainda estava agitada. Amar Derek era uma bno; mas era um amor sem desejo, sem as sensaes que Brad lhe despertara naquela manh. Como um homem conseguia fazer isso com uma mulher, com um simples olhar?
De qualquer forma, no iria trocar seu futuro tranquilo com Derek por um pouco de aventura com um homem que mais parecia um pistoleiro. Para falar a verdade, melhor seria no v-lo nunca mais.
Mas precisava resolver o problema do carro. Obviamente Brad Barclay estava em apuros financeiros; Blair passara por problemas semelhantes, depois que o pai morrera. Precisava, porm, levar em conta as reaes de Derek, caso ela decidisse optar pela sada proposta por Barclay.
Ao deitar-se, j se sentia esgotada. Inexplicavelmente, antes de cair num sono profundo, pensou na boca sexy e petulante e no par de olhos azuis de Brad, que lhe prometiam aventura e perigo.

CAPITULO III

Blair mal entrara.no edifcio de tijolos aparentes 1 do Houghton Security Bank, na segunda-feira de manh, e o telefone em sua mesa comeou a tocar. Embora o banco ainda no tivesse aberto as portas para o pblico, ela atendeu a ligao com a presteza de sempre.
	Blair Conover. Em que posso ajudar?
	Ol, Blair.  Winona. Liguei para avisar que acordei muito indisposta, e portanto no vou trabalhar. Eu teria que atender um cliente durante a manh. Voc poderia faz-lo por mim?
Winona Schnieder tambm era funcionria do setor de emprstimos; as duas tinham um excelente relacionamento no trabalho.
	Claro, Winona. No se preocupe. O que voc tem?
	Deve ser alguma infeco. Comeou ontem. Hoje amanheci melhor, mas preciso de mais tempo para me recuperar.
- Est bem, querida. Onde esto as informaes para a entrevista?
	Numa pasta azul em minha mesa, na gaveta do meio.
E a nica. No h muita coisa dentro, j que a pessoa vir para solicitar pedido de emprstimo.
	Fique tranquila. A que horas ele vir?
	s onze.
Depois de se despedirem, Blair foi pegar a pasta na mesa de Winona, e a colocou sobre a prpria mesa. Ela nem se preocupou em consultar os dados, pois j conhecia todos os
procedimentos: os novos clientes de emprstimos eram sempre atendidos por ela e por Winona.
Quando os outros empregados comearam a abrir o banco para os clientes, Blair olhou para o telefone. Depois de hesitar um pouco, decidiu discar o nmero da companhia de seguros.
s cinco para as onze, Brad entrou no Houghton Security Bank e olhou ao seu redor. Os caixas estavam ocupados, telefones tocavam e os clientes estavam envolvidos com vrias atividades.
Mas a mesa que Winona Schnieder ocupava quando ele visitara o banco pela primeira vez estava vazia. Ele olhou para a mesa contgua e franziu o rosto. Blair Conover trabalhava no banco? Por que no a vira na semana anterior?
Ela estava concentrada em seu trabalho. Os cabelos loiros, presos numa comportada trana, contrastavam com o conjunto cinza e branco que usava. Parecia fria, eficiente e controlada, mas ainda assim Brad sentiu-se estremecer por dentro ao v-la.
Ele respirou fundo e procurou acalmar-se. Blair Conover pertencia a outro homem. "Mas flertar no tira pedao de ningum", pensou; e, com um sorriso petulante, atravessou o saguo e foi direto para a mesa dela.
	Bom dia, anjo!
Ela ergueu os olhos, espantada.
	Brad! O que est fazendo aqui?
	Tenho hora marcada com Winona Schnieder. Ela est?
	Voc  o cliente das onze horas?  Suspirou.  Sente-se. Ela no vir hoje e pediu que eu o atendesse.
Brad ficou onde estava. Uma coisa era contar seus infortnios para a funcionria de um banco; outra era contar para Blair Conover.
	Talvez eu deva voltar amanh.
	Ela est doente, no sei se poder atend-lo amanh.
 Blair apontou para a cadeira diante de sua mesa.  Sente-se, Brad. Estou acostumada a atender os clientes de Winona.
Finalmente, cedendo ao inevitvel, Brad sentou-se.
	No sabia que voc trabalhava aqui.
	E eu no sabia que voc era cliente de Winona.  Blair tirou um papel de dentro da gaveta.  Ela disse que voc quer fazer um emprstimo. Este  o formulrio que vamos usar. Eu lhe fao as perguntas e o preencho.
	Tudo bem  ele resmungou.
Blair o fitou. Ele estava simplesmente incrvel. A camisa azul tinha a exata cor de seus olhos, e o jeans que vestia era muito mais novo do que o que costumava usar. Estava to bonito que Blair precisou esforar-se para desviar os olhos.
Pegando uma caneta, ela comeou:
	O sobrenome  Barclay  ela murmurou enquanto preenchia os espaos.  Primeiro nome...
	Bradford.
	Logo, Brad  um apelido.
	Correto.
- Nome do meio?
	Wilson.
	Bradford Wilson Barclay.
Brad respirou fundo.
	 muito nome para o meu gosto.
	 lindo  ela retrucou.  Data de nascimento?
Brad a forneceu, bem como o endereo e o nmero do seguro social.
Blair limpou a garganta.
	Estado civil?
	Eu nunca me casei.
	Agora preciso das informaes financeiras  informou, suspirando aliviada por saber que ele era solteiro. - Vamos comear pelas propriedades.
Brad meneou os ombros.
	No so muitas. A fazenda tem seiscentos hectares...
	Voc tem uma fazenda?

	Comprei a velha fazenda dos Sutter.
Blair empertigou-se na cadeira.
	Eu a conheo. No est em runas?
	Estava. Melhorou muito de algumas semanas para c.
	Voc a est reformando?
	 por isso que estou aqui pedindo um emprstimo. Subestimei o custo dos reparos e fiquei sem dinheiro.
Ela rolou a caneta entre os dedos e prosseguiu:
	Alguma dvida?
	Nenhuma.
	Nenhuma hipoteca?
	Paguei a fazenda  vista. Pensei ter ficado com dinheiro suficiente para fazer os reparos e sobreviver at o preo do gado baixar, mas houve alguns problemas inesperados.
	Que tipo de problemas?
	O pior foi o poo que secou. Tive que furar um novo e gastei o resto do meu dinheiro.
	Entendo. Furar um poo requer muito trabalho tcnico. E h tambm os trmites burocrticos.
Blair ponderou que Brad no parecia nem agia como um cidado respeitvel, mas tudo indicava que ele era exata-mente isso. O banco certamente aprovaria o emprstimo.
	Precisaremos de trs coisas para comear  Blair explicou.  Uma avaliao da sua propriedade, uma certido negativa de dbitos e um relatrio sobre seu histrico de crditos. Ter que arcar com os custos desses documentos. Winona j conversou com voc a respeito dos juros cobrados?
	Sim, j. Quanto aos custos dos documentos, terei que pag-los agora?
As regras do banco eram rgidas.
	Receio que sim. - Diante do orgulho que viu nos olhos dele, apressou-se em explicar: - No preciso do cheque hoje, Brad. Winona vai providenciar os documentos. Enquanto isso, por favor, diga qual era o seu endereo anterior.
Visivelmente contrariado, ele informou um endereo no Estado do Colorado.
Blair ficou imaginando como Brad tivera dinheiro para comprar a fazenda. E por que em Montana? E, o principal, como resolveria o problema se o banco no concedesse o emprstimo?
	Vamos terminar com os ativos e passivos  ela prosseguiu.  Voc tem gado?
	Quinhentas cabeas. Comprei-os junto com a propriedade. So todos saudveis.
	Algum outro animal?
	Seis cavalos. Vieram comigo.
	Equipamentos?
Brad mencionou vrios equipamentos da fazenda e terminou, rindo:
	E minha camionete Chevy 1983, que voc j conhece.
	Hum... sim.  Depois de anotar tudo, Blair ergueu os olhos.  Eu j relatei o acidente  seguradora.
Brad ergueu a sobrancelha.
	E?
	Eles concordam que voc conserte meu carro, mas sugeriram que assine um formulrio chamado Admisso de Responsabilidade.
	O que  isso?
	Exat,amente isso. Voc estar admitindo ser responsvel pelo acidente. Alguma objeo?
	No, nenhuma. Voc tem um desses formulrios?
	Eles vo me mandar um ainda hoje. Depois lhe envio um.
Brad aproximou-se mais da mesa.
	Ento vai deixar que Sam conserte seu carro?
Blair suspirou discretamente. At aquele momento ainda no havia decidido.
	Sim. Vou lev-lo at sua fazenda... amanh  noite.
Recostando-se no espaldar da cadeira, Brad contemplou a linda jovem  sua frente. Ela o tocava de uma forma diferente. Sentia atrao fsica, claro, mas tambm uma atrao mais forte. Era uma sensao de que estar com ela era... perfeito.
	Blair, perdoe-me por t-la chamado de cabea-de-vento
no dia da batida  ele disse com um tom calmo.  Est claro que voc no  nada disto.
Ele ficou to surpreso quanto ela por ouvir-se pedir desculpas. Ambos ficaram se olhando por um longo instante.
Blair quebrou o momento de encanto com uma gargalhada seca.
	E eu devo-lhe desculpas por brecar muito em cima do sinal vermelho.  Procurou ficar sria novamente e retornou ao formulrio.  Algum outro tipo de dbito? E para quem?
	No devo nada a ningum. A no ser a voc.
	No tem nenhuma dvida?
Isso era raro. Blair pressentiu que a diretoria do banco aprovaria o emprstimo sem problemas.
	Nenhuma. Oua: gostaria de lhe explicar a respeito do seguro do carro.
	Fique  vontade.
	Fui um pouco relapso e no comuniquei minha mudana de endereo  Brad confessou.  Quando enfim recebi a notificao de que a aplice havia vencido, j estava sem dinheiro. A seguradora avisou que renovaria o seguro assim que recebesse o meu cheque, mas at agora no pude envi-lo.
Blair escutou o relato com uma ponta de simpatia.
O formulrio foi totalmente preenchido, faltando apenas a assinatura de Brad. Blair leu tudo novamente para verificar se no se esquecera de nada, mas na verdade procurava uma forma de retardar a partida dele. Finalmente, estendeu-lhe o formulrio e entregou-lhe uma caneta.
	Por favor, confira as informaes. Se estiver de acordo, assine onde assinalei com um "x",
Brad conferiu e assinou o documento.
	E s isso?
	Quase.  Ela anotou alguns dados em uma folha que posteriormente entregou a Brad.  Estes so os documentos de que o banco vai precisar para analisar o seu pedido. No precisa trazer os originais, basta uma fotocpia.
Depois de ler a folha, dobr-la e coloc-la no bolso da camisa, Brad perguntou, mais descontrado:
	E ento? Voc acha que tenho alguma chance?
	Eu no deveria dar minha opinio, mas imagino que sim.
Brad levantou-se e apoiou as mos na mesa.
	Tem certeza de que no vai mudar de ideia?
Ela olhou-o intrigada.
	De que est falando?
	Voc disse que vai se casar dentro de trs semanas  Brad disse suavemente.
Blair umedeceu os lbios.
	Esses so os meus planos.
	E seu noivo sabe quanta sorte ele tem?
Ela sorriu timidamente.
	Acho que sou eu que tenho sorte.
Brad fitou-a intensamente.
	Duvido. At amanh  noite.
	At.
	Sabe onde fica minha casa?
	Sim.
Brad empertigou-se e sorriu.
	At mais, anjo.
Com os olhos arregalados, Blair viu-o caminhar a passos largos at a porta principal. Por que ele fizera aquilo? Por que voltara a cham-la de "anjo"? Com os dedos trmulos, colocou o formulrio preenchido dentro da pasta de Winona.
	Bradford Wilson Barclay  murmurou.  Quem  voc, Brad?
	Derek, h algo que preciso lhe contar.
Derek, satisfeito com o jantar que Blair lhe preparara, afastou a xcara de caf para o lado.
	Sim, querida. O que ?
	No vou levar o carro para o Duane consertar  ela declarou calmamente.
Derek estreitou os olhos.
	No? Mas, meu bem,  preciso.
	Vou consert-lo. O sr. Barclay tem um amigo que...
	Espere um pouco, Blair. Esse no  aquele que bateu no seu carro?

	Sim, Bradford Barclay, mas todos o chamam de Brad.
Derek balanou a cabea.
	No estou gostando nada disso.
	Deixe-me explicar  ela pediu pacientemente.  O sr. Barclay tem um amigo que possui ferramentas e experincia para fazer o reparo. Eu hoje autorizei Sam, o tal amigo, a fazer o conserto.
	Blair, no  uma boa ideia. Mas no  tarde demais para mudar seus planos. Estarei livre pela manh. Deixe-me levar seu carro at Duane e fazer tudo como deve ser feito.
Ela balanou a cabea lentamente.
	Obrigada, mas eu j disse ao sr. Barclay que o amigo dele poder fazer o trabalho.  Percebendo a impacincia no rosto de Derek, acrescentou:  No posso voltar atrs com minha palavra, Derek.
	S me diga uma coisa, Blair. O que esse Barclay tem contra Duane Kemp?
	O problema no  Duane. O sr. Barclay est sem dinheiro.
	Voc no est sendo muito sensata  Derek comentou sarcasticamente.
	Pensei que fosse me apoiar.
	Como posso apoi-la? No  prprio de voc ser negligente nessas questes.
	Mas  prprio de mim ter compaixo por pessoas que passam por dificuldades, Derek.
	Compaixo tem limite.
Blair ergueu a sobrancelha cinicamente.
	Ento, diga-me qual  o limite.
Ele corou de raiva. Era a primeira vez que tinham uma discusso mais sria. Havia pontos em que suas opinies eram absolutamente opostas, e eles comeavam a descobrir isso s vsperas do casamento.
Derek olhava-a com uma expresso estranha.
	Pelo que estou vendo, esse Barclay sabe se utilizar das palavras.
	Quer repetir?  ela pediu, surpreendida pela insinuao.
	Que idade ele tem?
Uma inexplicvel sensao de culpa deixou Blair na defensiva.
	Que diferena isso faz?
A raiva crescente de Derek comeou a deix-la chocada.
Como ele conseguiu convencer voc, Blair?
Que coisa mais absurda! Voc s pode estar brincando.
Erguendo-se da mesa, ele a fulminou com o olhar.
	E esse o tipo de comportamento que terei que aturar depois que nos casarmos?
	Derek, estamos falando do meu carro!
Furioso, Derek encaminhou-se para a porta.
	Ligue para mim depois que mudar de ideia!  ele gritou por sobre o ombro.
Blair ficou parada, ouvindo a porta da frente bater. "Que loucura!", pensou, e correu atrs dele.
	Derek!
Mas o carro j se afastava.
Ela sentiu os olhos marejados. Era assim que ele reagiria sempre que se desentendessem? Respirou fundo. De que adiantaria chorar?
Entrou em casa sentindo uma necessidade enorme de falar com algum. O primeiro impulso que teve foi de discar para Mitch, em Seattle.
Quando ele atendeu, Blair sentiu o peso em seus ombros ficar mais leve.
	Ah, Mitch, que bom que voc est em casa!
	Algo errado, maninha?
Ela sorriu suavemente. Era gostoso ouvir Mitch cham-la de modo to carinhoso.
	Derek acabou de sair. Ele est louco da vida comigo porque...  Blair rapidamente contou o ocorrido.  O que voc acha, Mitch? Feri os brios dele sem perceber? E errado eu tomar uma deciso por mim mesma s porque vamos nos casar?
	Bem,  voc quem deve decidir isso, Blair. Derek  um bom sujeito a maior parte do tempo, mas lembro-me de alguns incidentes em que ele perdeu a cabea.
	Mas isso tudo  uma bobagem.
	Voc acha que definir os seus limites  bobagem? Blair, voc nunca foi uma pessoa que vivesse dependendo dos outros.
	Mas ns deveramos poder discordar e conversar sem perder a cabea.
	Voc perdeu a sua?  Mitch quis saber.
	Um pouco, talvez  admitiu.  Mas no como Derek.
	E agora est assustada.
	Acho que sim. O casamento est to prximo. Meu vestido est quase pronto, os convites j foram enviados, minhas damas de honra esto comprando os vestidos, a igreja est reservada... Oh, Mitch, e se eu estiver cometendo um erro?
	Blair, se voc tem um dvidas, desista.
O conselho drstico deixou Blair aturdida. Visualizar o futuro sem Derek era aterrorizante.
	Devo estar muito estressada, Mitch  procurou justificar-se.  Derek deve estar tentando telefonar para mim agora mesmo. Ligarei para voc mais tarde, certo?
	Faa isso, mana. Conte-me o que estiver acontecendo.
	Est bem. Boa noite. Obrigada por me ouvir.
	Para que servem os irmos?

CAPITULO IV

Mais tarde, naquela noite, Blair contempla-Lva o telefone mudo. Ligara para o noivo por volta das nove horas, e ele no atendera. Tentou novamente s dez, dez e meia, onze horas. Comeou a pensar em ir ao dplex de Derek. Ele morava em uma unidade e alugava a outra. Era um excelente negcio. Dizia que, depois do casamento, ele se mudaria para a casa de Blair e ele ficaria com a renda das duas unidades.
Ela comeou a se dar conta de que, com relao a dinheiro, ele jamais usava o pronome "ns". Era sempre o "meu" dinheiro e o "seu" dinheiro.
Quando finalmente foi para a cama, um pouco antes da meia-noite, estava com os nervos em frangalhos. As lgrimas que contivera durante a noite toda rolaram, enfim, molhando o travesseiro. Ficou acordada durante horas, procurando respostas. Se ele pensava que, com aquela guerra fria, iria convenc-la de que estava errada, estava muito enganado. Finalmente, conseguiu dormir e pareceu-lhe que, nem cinco minutos depois, o despertador j avisava que eram seis horas.
Pela manh, seu otimismo costumeiro parecia t-la abandonado por completo. Aprontou-se lentamente, mas, por mais que esperasse, o telefone permaneceu mudo.
Seu orgulho no lhe permitiu ligar novamente para Derek. Sendo assim, saiu de casa arrasada.
s dez e quinze, o telefone em sua mesa tocou.
 Blair Conover  respondeu, desanimada.  Em que posso ajudar?
	Blair,  Derek. Voc pode falar?
	Sim  ela respondeu, sentindo vontade de chorar de alvio.
	Pensou no que aconteceu ontem  noite?
	No pensei em outra coisa, Derek.
	E?
	O qu?
	No tem nada a me dizer?
O pedido de desculpas que ela preparara sumiu de sua mente.
	Sim, eu tenho algo a lhe dizer, Derek  disse rispidamente.  Acho que voc foi muito injusto!
	Eu, injusto? E voc?
Blair hesitou um momento e ento concedeu:
	Talvez eu tambm tenha sido...
	Mas voc no acha que eu tenha que dar palpite na forma que escolheu para desperdiar o seu dinheiro.
A atitude agressiva deixou-a desconcertada.
	Por Deus, Derek! Voc acha mesmo que a questo  o dinheiro? Ns discordamos a respeito de uma deciso que eu tomei. Discordar no  um fato anormal em um relacionamento, mas ficar irado a ponto de sair de minha casa daquela maneira  ir at os extremos!
	Ento no est nem um pouco arrependida?  ele irrompeu.
	No consigo acreditar que voc esteja falando srio.
	Vou lhe dizer uma coisa, Blair. Um pouco de espao para respirar pode ser o melhor remdio para ns neste momento. Quando voc recuperar o juzo, ligue para mim.
Blair mordeu o lbio inferior.
	Est sugerindo que fiquemos sem nos ver por algum tempo?
	 precisamente isso o que estou sugerindo.
Ela ficou estupefata. Derek iria puni-la por ter mantido sua opinio. Percebeu que um cliente vinha na sua direo e perguntou:
	Tenho que receber um cliente. Posso ligar mais tarde?
	Vamos nos dar alguns dias.
Ela sentiu o cho abrir-se sob seus ps, mas ter um ataque por telefone seria uma cena humilhante.
	Muito bem  sussurrou.  Adeus.
Desligando o aparelho, ela armou um sorriso trmulo para o cliente que chegara.
	Bom dia, sr. Laverty. Sente-se, por favor. J lhe trago os documentos do emprstimo para a sua assinatura.
Enquanto dirigia at sua casa, no final do expediente, Blair ponderava se valia a pena manter o combinado com Brad. Talvez no, mas tambm no estava disposta a quebrar sua palavra s para manter obedincia cega a Derek. Nenhum adulto tinha o direito de exigir a submisso de um outro, principalmente se estavam apaixonados.
Ela ficou preocupada por sentir repentinamente como seus sentimentos por Derek haviam ficado frgeis.
Mas, no fundo de seu corao, tinha a esperana de que ele apareceria em sua casa com algum indcio de arrependimento. Se isso acontecesse, esqueceria todo aquele incidente. Mas, assim que sua casa se tornou visvel, percebeu que no havia nenhum carro diante dela.
Suspirando desanimada, deixou o carro na rua e entrou. No estava com a mnima disposio de cozinhar, nem de ficar plantada em casa jogando com a incerteza.
Trocou de roupa e colocou jeans, camiseta e um par de tnis. Em seguida, pegou a bolsa e saiu. Foi at a nica lanchonete de Houghton e pediu um hambrguer e um refrigerante para comer no carro.
Mais tarde, a caminho da velha fazenda Sutter, sentiu que dirigir pelas estradas secundrias tinha um efeito teraputico sobre sua tenso nervosa. A zona rural era maravilhosa e ainda estava verde, apesar do vero seco pelo qual estavam passando.
Blair adorava o vero. A primavera em Montana costumava ser mida e fria, os outonos, sempre uma incerteza. O inverno era a sua segunda estao preferida: gostava especialmente dos dias em que o sol brilhava, apesar da temperatura abaixo de zero.
Mas o vero era especial e por isso decidira se casar nessa estao.
Sentindo um aperto no peito, fez a ltima curva da longa estrada que levava at a fazenda de Brad. Fazia muitos anos que no entrava ali.
Constatou maravilhada que o lugar j no tinha mais a aparncia de abandono. As dependncias pareciam brilhar com a tinta fresca, e as cercas estavam retas e em p.
Ao estacionar ao lado da caminhonete de Brad, que era o nico veculo  vista, viu-o saindo do celeiro. Ela permaneceu sentada, observando-o. Apesar de seu estado de esprito, Blair ponderou que ver Brad Barclay se aproximar da casa da fazenda era um verdadeiro prazer. Ele tinha um andar solto, descontrado, sexy. Um velho chapu escondia seus cabelos maravilhosos, e seu jeans e a camisa estavam bem desbotados.
Mas,  medida que ele se aproximava, ela percebeu que as roupas estavam limpas, como se tivesse se trocado a tempo de receb-la.
Saiu do carro com um sorriso.
	Ol!
	Como vai, Blair?
	Voc j fez maravilhas neste lugar.  Com as mos nos bolsos da cala, ela contemplava as redondezas.
Blair Conover com um jeans agarrado era uma viso de que ele jamais se esqueceria, Brad pensou admirando-lhe as longas pernas e o quadril arredondado. E tambm no havia problema algum com a curva dos seios sob a camiseta vermelha.
Uma brisa leve brincava com os longos cabelos loiros. Blair tirou as mos dos bolsos para afastar as mechas que aoitavam seu rosto. Brad estreitou os olhos, apreciando uma das mulheres mais lindas que j tivera diante de si.
	Gostaria de dar uma olhada na fazenda?  ele perguntou gentilmente, quase rezando para que ela concordasse.
	Claro, obrigada, eu adoraria.
Eles comearam a andar na direo das dependncias exteriores.
	Derrubei dois velhos barraces que estavam a ponto de cair  Brad informou.
	O lugar est timo. Voc deve ter tido muito trabalho.

	Eu e o velho Sam.
Blair sorriu.
	Ele mora aqui com voc?
	No alojamento. Para falar a verdade, tem estado fora a maior parte das noites. Acho que est apaixonado.
Blair baixou o olhar.
	Bem, que ele tenha muita sorte.
Brad franziu levemente o cenho, tentando decifrar a expresso dela. Resolveu mudar de assunto.
	Ns trabalhamos trs dias reforando a sustentao do celeiro.
	Agora parece bastante firme. No me lembrava de a casa ser assim to grande. Anos atrs estive aqui numa festa de aniversrio. Acho que Johnny Sutter teria nove ou dez anos naquela poca.
Brad meneou a cabea.
	Eu soube que Johnny morreu em um acidente de carro h cerca de cinco anos.
	Os pais dele ficaram arrasados. Depois disso, este lugar comeou a decair. Mas eu no sabia que estava  venda.
	Voc gostaria de ver o interior da casa?
Ela contemplou a velha e slida construo. Mitch tambm viera para aquele aniversrio. Fora uma festa muito divertida, e recordar aquela ocasio feliz deixou-a nostlgica.
	Acho que sim. Tem certeza de que no se importar de ter algum bisbilhotando sua casa?
	Nem um pouco. Venha.
L dentro, Brad portou-se como um verdadeiro e entusiasmado anfitrio. A casa era antiga e charmosa, com armrios de cozinha altos e envidraados. O cho era de madeira, os ps-direitos, altos, e a lareira tinha um bonito trabalho de entalhe em pedra. Sem dvida, precisava de uma boa reforma, mas Blair sentiu que a casa tinha um grande potencial.
	Quer olhar l em cima?  Brad perguntou depois de ela ter inspecionado todos os ambientes do trreo.
	Tem certeza de que no se importa?
	Claro.  Brad sorriu.  Acho que voc gosta desta casa velha...
	 maravilhosa, Brad. De verdade.
	Venha.
Ele tomou-lhe a mo e comeou a subir as escadas. A sensao daquela proximidade foi desconcertante.
Brad parecia estar muito orgulhoso da nova casa. Com uma expresso satisfeita, abriu a porta do primeiro cmodo do longo corredor.
	So quatro quartos, nem todos mobiliados, e dois banheiros.
Ela deu uma olhada no quarto vazio.
	Muito agradvel.
Estava verdadeiramente encantada com a casa e dete-ve-se mais nos banheiros para apreciar as velhas banheiras com ps trabalhados.
Somente o ltimo quarto estava mobiliado e obviamente era o de Brad. Ao invs de simplesmente segurar a porta para que Blair olhasse, ele entrou e mostrou a moblia.
	Estes mveis pertenceram a meus bisavs.
Os criados-mudos e armrios eram de uma madeira escura e pesada. Da porta, Blair olhou com interesse cada pea. Quase riu, lembrando-se de que havia poucos dias o imaginara um vaqueiro pobre e sem razes.
O olhar de Blair demorou-se na cama. Sua estrutura era prpria para se colocar um dossel. Alm disso, com belas cortinas e uma colcha florida ou de retalhos, o quarto ganharia vida num piscar de olhos.
	Adorei  ela disse com um olhar sonhador.
	De verdade?
A expresso de Brad era quase infantil. - E voc se importa com o fato de eu gostar ou no da casa?
Brad aproximou-se.
	Muito.
Sentindo-se enfraquecer com o calor que viu naqueles olhos, Blair encostou-se no batente da porta. Sabia que devia sair dali, mas sentia as pernas pesadas. Estava magnetizada por aquele olhar profundo.
Silenciosamente, ele se aproximou.
Brad no planejara aquele momento. Conscientemente, jamais abordara uma mulher comprometida. Mas o que estava sentindo por Blair era mais forte do que a tica e, pelo modo como o fitava, ele sabia que ela sentia o mesmo.
Parando a alguns centmetros, ergueu o brao para segur-la pela cintura. Ela entreabriu os lbios com um murmrio splice:
	No, Brad. No.
Ele a estreitou contra si at que seus lbios estivessem perigosamente prximos.
	Blair...  ele sussurrou com a voz rouca, e suavemente
encostou os lbios nos dela.
No instante seguinte, a suavidade desapareceu, dando lugar a uma sofreguido que ele no conseguiu controlar. Com um gemido que vinha do fundo de sua alma, segurou-a pela nuca e beijou-a apaixonadamente.
Ele queria sentir a suavidade daquele corpo em toda a sua extenso. Suas mos experimentaram o calor que provinha daquela pele, todo o calor que uma mulher podia oferecer a um homem.
Blair sentia-se tonta, e estava entregue a toda uma gama de sensaes que jamais tivera antes. O corpo rijo de Brad contra o seu, seu peito largo, seu ventre, seus braos, suas coxas musculosas... Pela primeira vez soube o que era o desejo em toda a extenso da palavra. No ouvia nenhuma voz interior que a censurasse ou lhe dissesse para fugir dali.
Com o corao pulsando violentamente, Brad apertou o corpo de Blair contra o seu. Seus lbios quentes e midos exigiam beijos de uma forma insacivel. Respirando com dificuldade, comeou a conduzi-la na direo da cama, beijando-a e acariciando-a o tempo todo.
Blair j estava deitada antes que pudesse se dar conta do que ocorria. Alguma parte de seu crebro registrou o
olhar ardente de Brad antes que ele exigisse sua boca para outro beijo trrido. Aparentemente aquele foi seu ltimo instante de lucidez. Sentiu seu corpo todo clamando por algo que s Brad poderia lhe proporcionar.
Ele escorregou as mos para baixo da camiseta e em seguida a pea de roupa j estava longe do corpo de Blair. Eles no se falavam. Os dedos trmulos dela tentaram desabotoar-lhe a camisa. No instante seguinte, o suti rendado parecia ganhar vida e saltar para fora da cama. Com isso, Brad pde explorar cada um dos seios aveludados com a lngua tentadora.
Ao livr-lo da camisa, ela gemeu e beijou o peito nu, roando o rosto contra os plos macios. Brad desabotoou o jeans de Blair e comeou a desc-lo pelas pernas esculturais. Livrou-a dos tnis, do jeans e, quando comeou a tirar-lhe a calcinha, ela ergueu os quadris para auxili-lo.
Brad beijou-lhe o ventre, o interior das pernas, a parte mais ntima de sua feminilidade. O que restara da resistncia de Blair desapareceu junto com as roupas. Ela se contorcia, entregue aos carinhos torturantes.
Ento, com os lbios inchados pelos beijos e com todos os nervos sensibilizados a um ponto insuportvel, ela o observou sentar-se para remover a bota e as meias. Ele ficou de p e livrou-se da cala com um nico movimento. Em seguida retornou  cama, acomodando a cabea de Blair ternamente sobre o travesseiro.
Brad a fitou intensamente e sussurrou:
	Voc  a mulher mais bonita que eu j vi.
Pousou a mo sobre a suavidade de um seio, e ela fechou
os olhos, com a mente enevoada pela sensao.
Ele desceu a mo ao longo daquele corpo tentador e beijou os lbios de Blair, provocando-a com a lngua insacivel. Ela abraou-lhe o pescoo e ergueu o peito para deliciar-se com o encontro de seus corpos.
	Oh, Blair, meu anjo  ele sussurrou ao posicionar-se entre as coxas macias de Blair.
Ela mal se dava conta do que estava fazendo. A nica coisa real, no momento, era o desejo ardendo em seu corpo.
Jamais se sentira assim, to liberta das restries morais. O corpo de Brad era o mais bonito que j vira.
Fechando os olhos, Brad beijou-a sofregamente e iniciou a penetrao. Ou melhor, tentou iniciar. Aturdido com o que estava sentindo, ergueu a cabea e olhou no fundo dos olhos dela.
	Por favor, no me diga que voc  virgem...
Ela fechou os olhos e umedeceu os lbios.
	Blair...
	No pare, Brad.
	Voc sabe o que est fazendo?
Com que tipo de idiota ela iria se casar? No mostrar a uma mulher como era o amor em toda a sua extenso era quase um crime.
	No  ela murmurou.  Mas com voc eu quero saber.
Ele a desejava tanto que chegava a doer. E ela, tambm o desejaria? Mas por que ele? Blair acariciou-lhe rosto.
	Nenhum homem me deixou a ponto de querer saber  ela confessou.
Foi o que bastou. Brad no podia mais se conter, embora estivesse disposto a parar se ela pedisse.
Penetrou-a com uma certa dose de raiva e percebeu uma expresso de dor no rosto de Blair. Com o corao tomado de remorso, beijou os lbios trmulos.
	Sinto muito. No vou machuc-la outra vez, prometo.
Nem mesmo a pontada de dor diminuiu o desejo de Blair.
	Continue  ela suplicou.  Faa amor comigo.
Ele prosseguiu cautelosamente, apesar de jamais ter se sentido to excitado. Queria gritar, dando vazo aos anseios de seu corpo, mas no podia, no com Blair.
No precisava se apressar. O que estavam fazendo significaria o fim do compromisso dela com outro homem, dando a Brad infinitas oportunidades de ensinar-lhe todas as formas de ter prazer no amor.
	Abra os olhos, meu anjo  ele sussurrou.  Olhe para mim enquanto fazemos amor.
	No.
Ela manteve o rosto para o lado e os olhos fechados. A sensao do corpo de Brad movendo-se sobre o seu era incrvel, muito mais excitante do que imaginara.
	Voc  magnfico  ela sussurrou.
	E voc  a mulher mais fascinante que eu j conheci.
Ela comeou a movimentar-se junto com ele, erguendo os quadris para melhor receb-lo.
Brad sentiu que Blair chegara ao auge. Ela gritou e enterrou as unhas nas costas dele. Com isso, ele prprio liberou-se e, em poucos segundos, estava gritando o nome dela. Depois, exausto e satisfeito, deitou-se na cama ao lado dela.
Levou algum tempo at que Blair se recuperasse. Durante alguns minutos, sentiu o corpo paralisado com a paz mais deliciosa que j experimentara. Seu corpo ainda parecia sentir os movimentos de Brad. Com algum esforo, percebeu que o quarto j estava escuro.
Do nada, o rosto de Derek projetou-se em sua mente.
 Ah, meu Deus!  ela murmurou.  O que eu fiz? Tire as mos de mim! Como voc pde fazer isso comigo?

CAPITULO V

Completamente chocado, Brad ergueu a cabea. ' O que voc disse?!
	Deixe-me ir  Blair implorou, escondendo o rosto nas mos.
Ele sentiu o corao pulsar violentamente.
	Blair, no fizemos nada errado.
	Afaste-se de mim!
	Voc est me culpando...  ele no disfarou o tom de incredulidade na voz.
	Quem mais eu poderia culpar?  Ela voltou-se e empurrou-o.  Deixe-me ir!
Ele queria prend-la em seus braos e mostrar com que facilidade ela poderia desej-lo novamente. Mas, ao contrrio, sentou-se na beira da cama, enquanto Blair tentava se cobrir com a ponta da colcha. Infeliz, Brad ergueu-se e saiu do quarto.
Em seguida, ela saltou da cama e comeou a procurar suas roupas. Estava tremendo, e as lgrimas a impediam de enxergar direito. Como pudera perder a cabea? Agora, o erro era irreparvel. Jamais se perdoaria.
Um minuto depois, ele retornava ao quarto com uma toalha ao redor dos quadris. Ficou parado, olhando-a se vestir, com um gosto amargo na boca.
	Quer parar e me ouvir?  finalmente pediu, exasperado.
Ela o fulminou com o olhar.
	No quero, ver voc de novo. Est claro?
A atitude de Blair era incompreensvel, frustrante.
	Blair, no faa isso.
Com os tnis nas mos, ela foi at a porta. Brad se aproximou e segurou-a pelos ombros.
	Droga! No ouse sair daqui sem falar comigo!
Ela tentou se desvencilhar, sem sucesso.
	Brad, deixe-me em paz!
- No at voc falar comigo.
Blair fez meno de protestar, mas acabou cedendo s lgrimas. Ele apertou-a contra o peito, e os tnis caram no cho.
	Qual  o problema, anjo?  ele murmurou, com os lbios prximos aos cabelos dela.
	Eu... eu no queria  disse entre soluos.
Brad afastou-se o suficiente para fit-la.
	No forcei voc, Blair.
	Mas me transformou em algum diferente.  A voz dela elevou-se.  Agora no tenho mais nada para dar a meu marido!
	Meu Deus, voc tem muito mais a dar do que qualquer outra mulher! Mas no pode se casar com aquele idiota.  Os olhos de Brad se turvaram de emoo.  Ns pertencemos um ao outro. Somos especiais.
Ele aproximou-se mais e beijou-a lenta e profundamente.
Blair demorou alguns instantes para perceber que estava retribuindo o beijo. Tambm seu corpo, colado ao dele, pulsava de desejo e o queria novamente.
Chocada, desvencilhou-se do abrao e encostou-se na parede.
	Voc est pensando que vou repetir o pior erro de minha vida?
	No d para ignorar a qumica que existe entre ns  Brad sussurrou.  Voc vai repetir, e eu tambm. Sempre que tivermos uma chance.
Respirando com dificuldade, ela o contemplou. A toalha ao redor dos quadris de Brad descera um pouco, revelando a linha de plos que apontava para sua masculinidade. Antes de v-lo despido, ela o imaginava magro. Mas os msculos pronunciados demonstravam que ele era uma figura masculina bastante macia. Com os cabelos desalinhados e cados sobre a testa, estava completamente irresistvel.
Mordendo o lbio, ela abraou a si prpria e gemeu.
 Eu... no posso fazer isso. No posso! Derek...  Horrorizada, parou e gemeu novamente.
Derek. O nome do noivo era Derek. Brad percebeu que jamais estivera em uma situao como aquela. Jamais chegara ao ponto de deliberadamente tomar a mulher de outro homem. Mas Blair era uma mulher especial, muito alm de sua compreenso.
Ele buscou suas roupas e, de costas para ela, vestiu-se.
Blair ficou olhando para a parede, a viso toldada pelas lgrimas. "Por que ele?", pensava. Por que dera a um desconhecido o que negara a seu noivo?
Blair comeou a sentir seu corpo dolorido. Seus seios estavam sensveis e havia um certo desconforto nas pernas.
Apesar de tudo, ao v-lo vestir-se, ela teve certeza de que faria tudo novamente, revivendo o desejo desesperado e o prazer final. Que tipo de mulher era, para estar noiva de um homem e desejar outro?
Sentiu a mo de Brad em suas costas e teve um sobressalto.
	Por favor, no me toque.
Ele deixou a mo onde estava.
	Venha. Levo voc at sua casa.
Voltando-se espantada, respondeu:

	Voc certamente no est pensando que vou deixar meu carro aqui depois disso.
	Por que no? O carro precisa de reparo e voc concordou. Fazer amor no vai mudar nada, Blair.
Ela arregalou os olhos.
	J mudou tudo.
	No  verdade. Deixe-me dizer o que mudou exatamente.  Colocou o dedo sobre o corao de Blair.  Porque voc adorou o que ns fizemos, algo aqui dentro jamais ser o mesmo. Seu sangue vai ferver sempre que pensar em mim. Voc vai comparar os beijos de Derek com os meus...e outros detalhes tambm.
Como posso comparar? Eu no conheo voc  ela argumentou, apesar de j ter encontrado uma diferena fundamental entre os beijos de seu noivo e os de Brad.
	Estou disposto a resolver isso assim que voc quiser 	respondeu prontamente.  Passe a noite comigo. Pela manh, j estar sabendo tudo o que  importante a meu respeito.
	No posso, e por favor no me pea mais nada nesse sentido  Blair respondeu a contragosto, imaginando como seria repetir toda a glria que experimentara havia poucos minutos.  Se vai me levar at minha casa, vamos logo.
	Ento vai deixar seu carro aqui?
	Sim, mas s porque no momento no tenho foras para achar outra soluo.
	Blair, no vou abandonar voc, se esse  o seu medo. Para ns, isso no  o fim.
	Pelo que me diz respeito,  o fim  retrucou, zangada.
	Por favor, vamos embora.
No carro, Brad no conseguia pensar em nada que pudesse faz-la sentir-se melhor. Depois de ter tomado a estrada, fitou-a. Ela, porm, mantinha o rosto voltado para a janela.
J estava escuro, e Brad ligou os faris. Depois de alguns minutos de silncio pesado, Blair procurou um papel na bolsa.
	Este  o formulrio de que lhe falei.
	Eu o assinarei na sua casa.
	E as chaves de meu carro.  Blair deixou os dois objetos no assento do carro.  Precisarei do carro no sbado.
	Eu sei. Sam vai comear o conserto pela manh. No quero que nos separemos dessa forma. Voc est zangada comigo quando no deveria estar.

	Melhor assim  respondeu secamente.  Vou me esquecer de voc e guardar esta raiva para mim.
	Voc no vai se esquecer. Pare de se enganar.
	Acredite, vou fazer o que estiver ao meu alcance para me esquecer de voc, ainda esta noite.
	E vai levar adiante seus planos de casamento como se nada tivesse acontecido?  Brad perguntou intencionalmente.
	Eu... no sei o que vou fazer.
Como sempre se norteara pela verdade, Blair sabia que sua nica opo era confessar tudo a Derek. Era uma soluo difcil, que a deixava em pnico. Levou as mos ao rosto quando as lgrimas voltaram novamente.
Brad fitou-a e percebeu que ela estava chorando. Praguejando interiormente, parou o carro na beira da estrada, desligou o motor, afastou o formulrio e as chaves de Blair e deslizou pelo assento na direo dela. Sem pedir permisso, puxou-a para si, aninhando a cabea dela em seu peito.
	Converse comigo  ele sussurrou.
Instintivamente, Blair segurou-se  gola da camisa de Brad.
	Voc no entenderia...
	Pode ser que no, mas voc no est percebendo o que ns ganhamos?
Ela afastou-se repentinamente.
	Ns no ganhamos nada. Conheo Derek praticamente desde que nasci. E voc? H quanto tempo?
	Voc mede os sentimentos pelo tempo que conhece uma pessoa?
	Provavelmente nunca amou, nem esteve prestes a se casar. Como pode saber o que estou sentindo?
	No me diga que ama Derek, Blair. S o que sei  que, se o amasse de verdade, no teria sido minha h poucos instantes. E simples: uma mulher sexualmente feliz e satisfeita no vai para a cama com outro homem. O velho Derek deixou voc escapar, anjo, e agora o problema  dele. S d graas a Deus por ter acontecido^antes do casamento, caso contrrio, teria sido bem pior.
	Voc est louco!
Brad meneou a cabea, concordando.
	Louco por voc.  Fez meno de acariciar os cabelos dela, o que Blair tentou evitar inutilmente.  Voc sabe o que significa ser o primeiro homem de uma mulher bonita e excitante como voc?
	Voc roubou isso de... Derek  ela murmurou.
	No sou um ladro; Voc me deu um tesouro e eu o aceitei. E vou aceitar sempre que me oferecer.
Ela grudou-se  porta para afastar-se do contato com Brad.
	Voc est me confundindo. Vamos embora.
	Por favor, Blair, d uma chance para o que aconteceu entre ns  pediu, olhando-a intensamente.
	Ou voc me deixa em casa ou me leva at sua fazenda para que eu possa pegar meu carro. Estou exausta e indisposta.
Porque ela estava chorando novamente, Brad deixou-a em paz, mas antes asseverou:
	Voc tem muito em que pensar, Blair. Tenho certeza de que vai chegar  concluso de que Derek no a merece.
Durante o resto do percurso, Blair no conseguiu parar de chorar. No momento em que Brad deixou-a na porta de sua casa, estava com os olhos inchados e o leno ensopado. Pelo menos Derek no resolvera aparecer e esper-la.
Assim que a caminhonete parou, ela abriu a porta.
	Blair... espere.
Contemplou-o uma ltima vez.
	No h mais nada a dizer. Telefone quando o carro estiver pronto.
Rapidamente desceu do carro e entrou em casa. L dentro, sentiu-se como em um santurio. Ficou parada no escuro, saboreando o aroma familiar e a sensao de segurana.
Depois de largar a bolsa no quarto, correu para o banheiro. Suspirando profundamente, ligou a gua da banheira.
Minutos depois, mergulhada na gua morna, passava a esponja pelo corpo lembrando-se de Brad. A terrvel verdade era que sua moralidade rgida jamais fora realmente testada. Brad administrara o teste, e ela falhara.
Meia hora mais tarde, o som do telefone pegou-a de surpresa. Pensando que poderia ser Brad, decidiu no atender.
Mas, como insistissem, enrolou-se numa toalha e foi at o quarto. Sentou^se na cama e pegou o fone com relutncia.
	Al?
	Onde diabos voc andou? Fiquei ligando a noite toda.

	Derek?  ela disse debilmente.  Eu... hum...estava fora.
	Onde?
	Por favor, no me interrogue dessa forma. Estou cansada e j estava indo me deitar.
	As dez e meia?  ele vociferou, como se ela costumasse ficar acordada at tarde.
Blair no estava disposta a uma nova discusso.
	Derek, voc ligou por algum motivo em especial?
	E preciso de algum motivo para ligar para a minha noiva?
	Mas voc mesmo pediu que eu no ligasse.
	Blair... acho que fui muito duro com voc.  A voz dele ficou mais suave.  Sinto sua falta, meu bem.
Para seu espanto, no conseguiu se sentir feliz com essas palavras. Sua voz foi fria ao responder:
	Vamos nos dar mais alguns dias.
	O qu? Blair...
O pnico na voz de Derek no a demoveu.
	Ns no nos conhecemos to bem quanto eu pensava, Derek.
	Eu conheo voc, Blair.
	No, no conhece. J nem sei mais se eu me conheo.
	Voc ainda est zangada comigo.
	No  verdade. Voc  quem estava zangado comigo, lembra? Mas agora no quero discutir.
	Blair...
	Boa noite, Derek.
Desligou o aparelho e respirou fundo. Em algum momento teria que contar tudo ao noivo, mas no nessa noite.
Vestiu a camisola, levou a toalha at o banheiro, voltou para o quarto e deitou-se.
Desfazer os planos do casamento seria uma tarefa ingrata. Teria que devolver os presentes que j recebera e cancelar o bolo. Provavelmente teria que reembolsar algumas de suas damas de honra que j tivessem comprado os vestidos. O pior seria ligar para todos e avisar que o casamento fora cancelado.
O telefone novamente interrompeu seus pensamentos. Vi-rou-se para o lado e pegou o fone.
	J est tarde. Por que est ligando novamente?
	Blair?
	Brad? Pensei que fosse outra pessoa.
	Derek?
	No estou disposta a discutir sobre ele com voc, mesmo em um nvel impessoal. Por que ligou?
	Para saber como voc est.
	No estou bem, mas tambm no estou disposta a discutir isso com voc.
	No seja to fria comigo, Blair. Eu me importo...
	Voc s se importa consigo mesmo. E um aproveitador, um homem sem tica, um...
	Um o qu?
	Est surdo, por acaso?
Brad soltou uma gargalhada.
	Voc me quis e veio atrs de mim, sem dar a mnima para as consequncias  Brad afirmou.
	Eu jamais teria tomado a iniciativa!
	E agora que eu j tomei, que tal voc?  ele insinuou.
Blair sentiu um calor intenso subir pelo corpo. At mesmo aquela voz grave a afetava. Ela retesou o maxilar.
	Boa noite, Brad. Por favor, no me ligue mais.
Depois de bater o fone com mais fora do que o necessrio, apagou a luz e cobriu-se at o pescoo. Fechou os olhos e desejou que sua me estivesse a seu lado.

CAPITULO VI

A quarta-feira transcorreu sem novidades, o Lque j foi um grande alvio para Blair. Depois de sair do banco a p, ela foi para casa e passou uma noite tranquila. Quando o telefone tocou, em trs ocasies diferentes, simplesmente o ignorou.
Na quinta-feira, como j se sentisse mais forte, decidiu que teria a conversa com Derek no prximo fim de semana. O casamento seria em duas semanas, e ela no poderia postergar sua deciso indefinidamente.
Estava em sua mesa, trabalhando num novo pedido de emprstimo, quando percebeu que a observavam. Erguendo os olhos, viu Brad sentado em uma das cadeiras diante da mesa de Winona. Ele acenou com a cabea. Blair retribuiu o aceno  uma reao involuntria  e imediatamente abaixou os olhos e voltou a trabalhar.
Mas tremia por dentro. No conseguiu mais concentrar-se no trabalho; no podia resistir  tentao de olhar para a mesa de Winona.
Com o canto dos olhos, viu Brad levantar-se, despedir-se de Winona e ento caminhar na direo dela. Ela sentiu o corao latejando na garganta e procurou ignor-lo at que ele estivesse parado diante de sua mesa.
Fingindo indiferena, Blair ergueu os olhos.
	Sim?
Com um leve sorriso, Brad debruou-se sobre a mesa.
	No fale nesse tom impessoal comigo, querida. Lembre-se de que eu j a vi de uma forma muito especial, muito prxima...
Blair estreitou os olhos e o repreendeu entre os dentes:
	No ouse falar comigo desta forma, principalmente aqui dentro!
Ele aproximou-se ainda mais.
	Venha me ver hoje  noite, Blair.
A expresso sensual no rosto de Brad deixou-a ofegante. ,
	Eu... no posso  ela murmurou.
	Sim, voc pode. J que voc est sem carro, vou bus c-la em sua casa.
	No! Brad, estou avisando... - Blair percebeu o olhar curioso de Winona.  As pessoas esto olhando. Deixe-me em paz. Sei que voc precisa vir ao banco por causa do emprstimo, mas isso no lhe d o direito de me tratar desta forma.
Brad aprumou o corpo.
	At logo mais, anjo.
Imagin-lo batendo  sua porta, sob o olhar especulativo de todos os vizinhos, deixou-a em pnico. Ela ergueu-se da cadeira:
	Espere!
Brad voltou-se.
	Sim?
	Eu... eu o encontro em outro lugar. No quero que v a minha casa.
Precisava dizer a Brad, de alguma forma, que no queria mais nada com ele.
	Est bem, querida. Onde posso encontr-la?
Blair tentou pensar.
	Hum.... h um pequeno parque perto de minha casa.
Estarei l... quando escurecer.
	Otimo. At mais.
Lanando um olhar inocente na direo de Winona, ela voltou a sentar-se e fingiu estar concentrada no trabalho.
Mas s conseguia pensar nas duas difceis tarefas que teria pela frente.
Do trabalho, Blair foi diretamente para casa. O telefone tocava quando ela chegou: era Derek.
	Blair, este pequeno desentendimento j est indo longe demais. Depois da aula, irei at sua casa. Chegarei por volta das nove.
	No estarei aqui.
	Vai sair?
	Sim  ela respondeu sem dar explicaes.
Passei pelo banco hoje e no vi seu carro no estacionamento.
	Ele est sendo consertado na fazenda de Brad Barclay.
	Voc realmente deixou que ele o consertasse? Blair, esta  a coisa mais est...
	Se ousar dizer que fiz uma coisa estpida, Derek, juro que...  Ela no continuou.  No faa isso.
	Voc mudou e eu gostaria de saber o motivo.
	Quero conversar com voc no sbado, Derek.
	Pensei que fosse at Billings nesse dia.
	Mudei meus planos. Voc vir a minha casa no sbado?  Blair mordeu o lbio, ansiosa. Imaginar-se confessando a Derek o que fizera a transtornava.
, Se eu no fosse dar uma aula particular, iria para a agora mesmo. Quero conversar depois que voc chegar de seu compromisso.
	No sei a que horas vou chegar.
	Ento, amanh  noite.
	Sbado  Blair repetiu com determinao.
	No estou entendendo, Blair.
	Vai entender. At mais, Derek.
Blair tirou a roupa do trabalho e ps um vestido florido e solto que lhe chegava at os tornozelos. O telefone tocou, e ela o ignorou.
Ela preparou um lanche rpido. Leu o jornal e fez um jogo de palavras cruzadas, o que a deixou um pouco mais relaxada. Em seguida, colocou roupas para lavar e tomou algumas providncias domsticas. Quando enfim escureceu, Blair ouviu as gotas de chuva na janela da cozinha.
Em minutos desabou um temporal. Blair abriu a porta dos fundos e olhou para fora. O parque ficava a alguns metros de sua casa, mas nem conseguia enxerg-lo, to forte estava a chuva. "E agora?", pensou.
No precisou pensar por muito tempo, pois logo a campainha soava.
Ela abriu a porta e deparou-se com Brad e seu largo sorriso.
	No estou vendo graa nenhuma!
	Se no me quer em sua casa, ento venha dar uma volta comigo  ele argumentou.
Qualquer coisa seria melhor do que convid-lo a entrar.
	Vou buscar um suter. Espere-me aqui.
Brad ficou parado na pequena varanda. Porm, como a porta estivesse aberta e a chuva aumentasse, ele entrou, dirigindo-se  sala.
Blair, ao retornar, surpreendeu-se ao v-lo em sua sala. Mas considerou que estava chovendo muito; no poderia reclamar por ele ter entrado.
	Estou pronta.
Saindo da casa, os dois correram para o carro de Brad. Ao entrar no veculo, ela percebeu que no era uma caminhonete, mas uma perua.
	Diabos, parece que o cu est caindo!  exclamou Brad, entrando no carro.
	Voc no mencionou que tinha uma perua.
Brad deu a partida e ligou o aquecedor.
	E do velho Sam. Ele no foi namorar hoje, por isso eu a pedi emprestada.
Blair olhou para trs, e viu uma cama. Voltou o rosto novamente para a frente, cheia de indignao.
	No fui eu quem ps isso a  ele adiantou-se enquanto dirigia o carro.
	Ento por que veio com esta perua e no com o seu carro?  Blair inquiriu rispidamente.
	Minha caminhonete quebrou. Lembre-se de que havamos planejado nos encontrar no parque. Nem imaginei que voc fosse entrar nesta perua.
	Voc tinha algo em mente, Brad. No tente me convencer do contrrio.
	No sou mentiroso, Blair.
	Quer dizer que sua inteno  apenas conversar? ela observou sarcasticamente.
	No  o que voc est querendo? Vamos colocar as cartas na mesa, Blair. E muito importante para mim falar, agora. Tenho tentado falar-lhe desde tera  noite, mas ou voc no est ou no atende ao telefone.
	Os dois  ela murmurou.  No tenho desejado conversar com voc ou...
Brad interrompeu-a, intrigado.
	No est conversando com Derek?
	Eu pedi que no mencionasse o nome dele.
A perua fez outra converso para a esquerda.
	Para onde est me levando?
	No muito longe. Relaxe.
Mas ela conhecia Houghton bem demais para relaxar. A estrada que haviam tomado levava-os para fora da cidade, at uma velha pedreira.
	Volte para o parque perto de minha casa.
	Quer acalmar-se, por favor?
	Foi o que a aranha disse  mosca  Blair resmungou, arrancando uma gargalhada de Brad.
Chovia a cntaros. A visibilidade estava ruim, mas Brad dirigia sem pressa. Blair no relaxou exatamente, mas encontrou alguma tranquilidade no barulho das gotas de chuva caindo na capota, no rudo do motor e no ar quente que vinha do aquecedor.
Blair, meu anjo  ele disse com voz suave.  Que msica quer ouvir? O velho Sam tem alguns CDs naquela caixa atrs de seu assento.
	No quero ouvir nada  ela retrucou.  S quero que voc pare em algum lugar para acabarmos logo com isso.
	Est com pressa, hein?
	Apesar de sua insinuao, o que tenho a dizer  muito objetivo.
	Ento voc  completamente imune a mim? Nem sabe que eu existo? Nem se lembra mais de como foi na tera-feira?
	Pare, Brad.
O carro parou abruptamente, e Blair, com alguma dificuldade, viu que j entravam na pedreira. Ningum extraa pedras daquele lugar fazia anos, e dizia-se que tudo ali estava prestes a desabar. No entanto, a pedreira permanecia firme.
Brad desligou o motor.
	Voc j se esquentou?
	No se preocupe comigo.  Blair tentou encar-lo atravs da escurido.  S vim at aqui para lhe dizer que quero que voc se afaste de mim.
	Acho que j me disse isso  ele replicou com a voz arrastada.
	Mas voc no acredita que eu tenha falado a srio. No sei como faz-lo acreditar!
	Bem, eu estou aqui, esperando. Tente usar a imaginao.
	No faa gracinhas, Brad. At voc aparecer na minha vida, estava tudo bem. Agora...  a voz lhe faltou.
	Agora o que, anjo?  Brad a interrompeu.  Derek est lhe dando trabalho? Voc contou a ele sobre ns?

	Vou contar no sbado.
	Melhor assim.
	Essa sua presuno  detestvel!
Ele assumiu uma postura espantosamente grave.
	Se sentisse que suas palavras so sinceras, voc jamais colocaria os olhos em mim novamente. Mas est mentindo, Blair, e mentindo para si mesma. Eu s gostaria de saber por que a insistncia em negar tudo. O que h de errado em voc e eu ficarmos juntos? Por que Derek  aceitvel, enquanto eu sou apenas um... como voc disse?, ah, sim, um aproveitador?
	O que espera que eu pense, chamando-me de "querida", de "anjo", com este seu ar insolente?
Voc no gosta de ser chamada assim?
	Voc acha que uma mulher gosta de ser tratada como uma qualquer?
	Por Deus! Jamais a tratei como uma qualquer! Talvez eu tenha exagerado um pouco; queria conquist-la a todo custo. Mas outros homens j devem ter tentado se duzi-la, Blair.
	Somente os aproveitadores  ela respondeu.
Brad abriu um pouco a janela para fazer circular o ar.
	Acho que no gosto deste termo.
	Porque a carapua lhe serviu.
Depois de um silncio incmodo, ele voltou a falar:
	E Derek, o que ?
	Como?
	Se eu sou um aproveitador, o que ele , ento?
Blair respirou fundo.
	At h poucos dias, eu o achava um cavalheiro. Agora, no sei. Francamente, estou farta dos homens em geral.
	S porque um deles transformou voc em mulher?
Voc queria morrer virgem?
	Droga, eu estava prestes a me casar!
	Ah, claro! Voc iria se casar com o bom Derek, um sujeito que aparentemente tem coisas melhores a fazer com as mos do que tocar a mulher que ele supostamente ama.
Voc deveria me agradecer por salv-la de um futuro frio e insosso, anjo. Quanto a mim, meu sangue ferve quando estou ao seu lado.
	Derek no ... frio. Ele apenas...
	Apenas o que, Blair?
	Ele se preocupa com os meus sentimentos!
	Ah, sim, claro! No foi ele que ficou uma fera s porque voc tomou uma deciso a respeito de seu carro? Parece que ele no dorme  noite, de to preocupado que est com os seus sentimentos...
	Voc agiria de forma totalmente diferente, claro.
	Com voc, sim.
Blair sentiu que a cabea comeava a doer.
	Quero voltar para a cidade. Isso foi perda de tempo.
Ningum, especialmente uma mulher, vai dizer ao grande Brad Barclay o que ele deve fazer.
	No  verdade.
Ele suspirou e apoiou a cabea no volante. Instantes depois, deu a partida, manobrou o carro e retornou  estrada.
	Sabe o que eu acho? Que esse Derek  um grande tolo! Ele a levou a acreditar que uma mulher no deve sentir o que um homem sente. Assusta-a assumir um relacionamento sexual honesto com um homem.
	Pare!  ela gritou.  No diga mais nada!
Brad continuou a dirigir com os olhos grudados na estrada encharcada, to furioso quanto Blair.
Quando chegaram aos limites de Houghton, seus nimos j estavam mais calmos. Ao estacionarem diante da casa de Blair, a chuva ainda era tanta que ela no conseguiu ver o carro de Derek. Brad parou o carro e deixou o motor funcionando.
	No vamos partir odiando um ao outro  ele pediu gentilmente.
	Brad, no quero v-lo nunca mais!
	Eu sei. Espero que seja feliz, Blair. Obviamente Derek venceu. Desejo o melhor para voc, anjo. Sinceramente.
Ela sentiu a boca seca.
	Obrigada. Meu carro...
	Estar pronto na manh de sbado, como prometi.
Blair sentia-se a ponto de chorar, e mal conseguiu dizer:
	Boa noite, Brad.
	Quer que eu a leve at a porta?
	No, obrigada.  Ela abriu a porta e saiu do carro. Adeus, Brad.
	Adeus, anjo. At um outro dia.
Blair correu para dentro de casa, dando sua noite por encerrada. Mas uma voz irada a recebeu na sala:
	Voc estava com Sam Potter. Era o carro dele, no era?
	Derek! Como voc entrou?
Ela jamais lhe dera uma cpia da chave de sua casa.
	A porta de trs estava aberta. No minta para mim, Blair. Eu conheo aquela perua!
	Eu avisei que iria sair  ela disse friamente.
	No vou aceitar esse tipo de comportamento  repreendeu-a Derek com ar prepotente.
Blair o fitou e sentiu que o que restara de seu amor por Derek acabava ali, naquele momento.
	Voc est absolutamente certo.
Ele retrocedeu um passo.
	Espere um momento...

	No, espere voc um momento!  Ela removeu o anel de noivado do dedo e o estendeu para o homem irado  sua frente.  Pegue. Acabou, Derek. Vou cancelar tudo pela manh.
	Por causa daquele ridculo Sam Potter? Blair, voc perdeu o juzo?
	Foi por sua causa, Derek. No posso mais suportar ser julgada por voc. O casamento entre ns seria um desastre.  Ela depositou o anel na mo de Derek.  Quero que v embora.
	Voc vai se arrepender por isso, Blair.
	Acho que no. Preciso dizer-lhe mais uma coisa, Derek. Voc ficou ao meu lado enquanto minha me esteve doente e depois que ela morreu, e jamais vou me esquecer disto. Meu erro foi confundir gratido e amizade com amor. Ns no nos amamos. Ser que ao menos podemos permanecer amigos?
O rosto de Derek crispou-se de dio.
 Voc  imoral, Blair, e se  amizade que est querendo, v pedir a outro homem. Estarei ocupado procurando uma mulher de verdade.
Blair ficou boquiaberta; tentou dizer algo, mas Derek j sara pela porta. Tremendo, ela trancou todas as portas da casa. Depois apagou as luzes e procurou o conforto de seu quarto.
Ento, mais confusa do que nunca, atirou-se  cama e chorou at s ter foras para dormir.

CAPITULO VII

Brad soube por acaso que o casamento fora ' cancelado. Isso se passou na semana em que a cerimnia iria acontecer. Ele estava na agncia de correio comprando alguns selos, e duas jovens  sua frente na fila conversavam. A moa ruiva comentou com a de cabelos escuros:
	Blair ligou para voc avisando que no iria haver casamento?
Brad concentrou a ateno.
A garota de cabelos escuros confirmou:
	Sim, imagino que a esta hora ela j deva ter ligado para toda a cidade. S imagino o que ter acontecido.
A ruiva aproximou-se mais da amiga.
	No tenho ideia, mas Derek j est saindo com outra mulher.
	Quem?
	Marie Layton.
	Est brincando? Que rpido, hein? E Blair, est saindo
com algum?
	Que eu saiba, no.
Pela primeira vez Brad sentiu remorso. Se no fosse por ele, Blair estaria s voltas com os preparativos para o casamento. Talvez ela tivesse rompido depois de ter contado a Derek o que acontecera na fazenda.
Porm, apesar do remorso, Brad no pde deixar de saborear uma sensao de felicidade. Era lgico que Blair no estava apaixonada por Derek, seno no teria ficado tanto tempo a seu lado sem fazer amor.
Nos dias seguintes, Brad esteve entre o remorso e a felicidade. Quando os dias se transformaram em semanas, comeou a pensar menos no assunto e s se sentiu novamente estremecido ao ver Blair no banco. Ele precisou ir at l para entregar alguns documentos a Winona.
O processo do emprstimo era lento. Foi necessrio vender dois novilhos em um leilo para pagar os custos decorrentes e para sobreviver at a aprovao final.
Trabalhava duro na fazenda, e fazia um ms que o pobre' Sam no via pagamento. Brad precisava regularizar sua vida rapidamente.
Blair procurou no se abater muito com o rompimento. Uma vez ou outra se espantava ao se dar conta da fragilidade de seu relacionamento com Derek, mas de um modo geral encarava um novo dia de peito aberto, sem analisar muito o passado.
No entanto, as visitas de Brad ao banco tinham sobre ela um impacto fsico e emocional. Seus modos polidos e o excesso de sorrisos que Winona lhe lanava a incomodavam bastante. Racionalmente, sabia que no fora Brad quem causara o rompimento. Mas toda vez que via Brad entrar no banco com aquele seu ar casual, queria culp-lo de alguma forma. No dia em que ele fora assinar os ltimos documentos do emprstimo, Blair estava usando a mquina de xerox. Assim que o viu, sentiu as pernas fracas. Ao mesmo tempo, teve outra sensao de vertigem.
Franziu o rosto. Vinha tendo vertigens e uma nusea desagradvel pela manh.
Sentiu o pulso acelerado e a testa suar quando um terrvel pensamento ganhou forma. E se estivesse grvida? Precisou agarrar-se  mquina para manter o equilbrio.
"Mas, Deus, foi s uma vez!" Comeou a fazer contas freneticamente, mas nem sequer conseguia se lembrar do dia do ms em que estava. Fitou Brad e recebeu de volta um cumprimento mudo, que ela retribuiu com um olhar agressivo. Percebeu que ele se retraiu. Em seguida, desviou o rosto, tremendo.
O olhar furioso de Blair o feriu. Ele assinou onde Winona indicava, ssm ler os documentos, imaginando o tempo todo por que Blair decidira odi-lo novamente.
	O valor do emprstimo j est  sua disposio  Winona declarou com orgulho.  Quer que eu transfira algum valor para a sua conta corrente?
	Por enquanto vou precisar apenas de quinhentos dlares  respondeu distraidamente, enquanto se erguia.
	Vou cuidar disso. J lhe trago o comprovante do depsito  Winona dizia enquanto Brad procurava Blair com os olhos.
	Eu espero.
Foi atrs dela. Aquele olhar furioso necessitava de uma explicao.
	Blair?
Ela ergueu os olhos da mquina de xerox.
	Voc no pode entrar aqui. E rea exclusiva dos funcionrios.
	Entendo. No entanto, estou aqui e espero que me explique o motivo daquele olhar fulminante que voc lanou na minha direo.
Nervosamente Blair olhou em volta. O sr. Hendrix, gerente geral do banco, estava no saguo e acompanhava a cena com o canto dos olhos.
	Voc quer que eu perca o emprego?  ela o repreendeu, sussurrando.
	S quero uma explicao.
	No vou explicar nada aqui dentro.
Ele olhou para o relgio.
	O banco j vai fechar. Vou esper-la l fora.  Voltou para a mesa de Winona.  J est com o comprovante?
	Aqui est.  Ela estendeu-lhe o papel.  Brad, no quero me intrometer, mas o banco no permite que os funcionrios tenham visitas pessoais durante o expediente.
No se preocupe  respondeu gentilmente.  Se h uma coisa que eu respeito  regulamento. Obrigado pela sua ateno. At mais.
Quando Brad saiu, Winona foi at Blair, na mquina de xerox.
	Voc est bem?
	Vou sobreviver  ela disse, com uma ponta de humor.
	Esse Brad  uma figura, no ?
Blair no sabia o que responder. Ele no era apenas uma figura. Seria o pai de seu filho, se suas suspeitas se confirmassem.
J no estacionamento, Brad apoiou-se no pra-lama da caminhonete e ficou observando a porta lateral do banco. Os funcionrios comearam a sair pouco depois das cinco horas. Winona acenou para ele e entrou no carro. Finalmente, alguns minutos mais tarde, Blair saiu.
Erguendo o queixo, ela atravessou o estacionamento na direo de Brad.
	O que voc quer?  inquiriu sem rodeios.
Brad estreitou os olhos.
	E por que voc acha que eu quero algo?
	E no  assim?
	Preciso apenas de uma explicao para aquele olhar venenoso.
Ela engoliu em seco e teve uma sensao de pnico correndo pela espinha. Sua reao no escapou  ateno de Brad.
	Blair? O que est acontecendo?  Como ela no res pondesse, ele a segurou pelo brao e se aproximou.  Blair?
	Eu... eu acho que estou...
	O qu? No estou entendendo.
	Grvida.
Brad ouviu muito bem. Ficou parado, segurando-a pelo brao, ambos lvidos como esttuas.
Ento, como se acordasse de um sonho, Blair puxou o brao, livrando-se da mo dele.
Espere um momento  Brad a irrompeu quando ela se afastou na direo do Ford azul.
Blair j estava chegando ao carro quando ele a alcanou.
	Deixe-me em paz!  ela exclamou, para ento se dar conta de que se encontravam em um local pblico. Mas o estacionamento estava quase vazio. Suspirou.  No fique to apavorado. Ainda  cedo para saber com certeza.
	No sou eu que estou apavorado  ele retrucou, com os olhos cravados nos de Blair.  Voc consegue dirigir?
	E claro que sim!  vociferou.
	Ento entre e v para casa. Estarei atrs de voc.
Com o corao aos pulos, Blair sentou-se ao volante. J era tarde para se arrepender de ter falado.
No sabia o que esperar de Brad, nem de si prpria. Bravamente chegou  sua casa, com Brad em seu encalo. Jogou a bolsa em uma poltrona, e Brad ficou parado na porta, com uma expresso grave.
	O que voc pretende fazer?  ele comeou aspera mente.  Quer se casar?
Blair ficou de queixo cado.
	Que coisa mais absurda!
	Nem tente me convencer de que no tenho nada a ver com isso. Se est grvida, o filho  meu.
Algo perverso fez Blair sugerir sarcasticamente:
	Por que tem tanta certeza?
A expresso de Brad mudou, dando lugar ao mais puro dio.
	Isso no  uma brincadeira, Blair.
	Estou to ciente disso quanto voc.
	Por que est to zangada comigo? Porque a engravidei?
Ns dois nos descuidamos, no se esquea.
Ela ficou lvida. Por que diabos nenhum dos dois tomara algum tipo de precauo?
	Mas eu ainda no tenho certeza. Vamos esperar at eu ter a confirmao.
	Faz sentido. Mas, se for verdade, o que iremos fazer?
	Eu... eu no sei.
Bad atravessou a sala e parou atrs dela.
	Blair, por favor, considere a possibilidade de nos casarmos. Acho que temos uma boa chance de fazermos dar certo.
Ela voltou-se.
	Baseados em qu? No fato de voc ter batido no meu carro ou no de j termos ido para a cama?
Ele ficou aturdido.
	O que voc falou no foi justo.
	Foi justo, sim! Ns nos conhecemos? Quanto tempo passamos juntos? Eu nem sei se voc tem famlia!
	Qual a alternativa? Pretende ter o filho sozinha?  Brad estreitou os olhos.  A menos que... Por favor, diga que no est considerando um aborto.
Ela viu a dor nos olhos de Brad e, pela primeira vez, sentiu compaixo pelo papel do homem no nascimento de uma criana. Suspirando, murmurou:
	Aborto no  uma alternativa, no que me diz respeito.
Brad soltou a respirao, aliviado.
	Voc me deixou preocupado.  Olhando para Blair, sentiu aquela velha pontada de desejo. Certamente eles se conheciam pouco, mas estavam ligados, como homem e mulher, da forma mais crucial.
	Vai considerar a possibilidade do casamento?
	E claro que sim  ela respondeu, sem muito entusiasmo.
	Vamos sair para jantar e conversar a respeito.  Brad tentou sorrir.  Agora tenho algum dinheiro. Consegui o emprstimo, finalmente.
Ela ponderou por alguns instantes e balanou a cabea.
	Hoje no. A ideia de ter um beb ainda  muito nova para mim. Preciso de um tempo para pensar. Eu no deveria ter contado nada a voc.
	Oua uma coisa, Blair: nenhum filho meu vai ser criado sem pai.
	 mesmo? E que experincia voc tem com famlia?  indagou, com as sobrancelhas arqueadas.
Brad estreitou os lbios.
	Eu tenho uma famlia. Inclusive, um irmo casado, que tem dois filhos pequenos no Colorado. Jack e eu herdamos a fazenda meio a meio. Porm, em termos administrativos, no nos damos muito bem. Sendo assim, ele.comprou minha parte, e eu pude obter o dinheiro para comprar a fazenda Sutter.
De alguma forma, saber que Brad tinha uma famlia deixou Blair mais aliviada, com uma imagem mais positiva. Mas ainda no era um sentimento forte o suficiente para considerar um casamento sem pestanejar.
	Eu no quis for-lo a falar de sua famlia...  ela disse, arrependida de sua postura arrogante.
	Voc est se sentindo bem, Blair?
	Estou s... um pouco cansada.
	Promete que vai me telefonar depois que conversar com seu mdico?
	Sim, claro.
	Tem certeza de que no quer ir jantar?
	Tenho. De qualquer forma, obrigada por me convidar.
Instintivamente ele a abraou, mantendo a cabea de Blair contra seu peito. Ela resistiu, mas acabou cedendo. Era bom ser abraada por Brad.
Ele sabia que ela estava apenas precisando de colo, mas, quando deu por si, j deslizava a mo para a cintura dela, buscando apert-la contra seu corpo.
Blair sentiu o que estava acontecendo, mas no teve foras para impedir. A sensao que tinha em seu ventre era mais forte do que a voz que a mandava parar antes que perdessem o controle novamente.
Brad tocou-a no queixo e fitou-a ternamente.
	Vamos fazer dar certo  murmurou, aproximando os lbios dos dela.
O beijo deixou-a com as pernas fracas. Ele procurou passagem entre os lbios de Blair com sua lngua provocante, e ela sentiu-se dominada pelo prprio desejo.
Ofegando, afastou-se.
	Hoje no, Brad.
Ele estava estonteado com a paixo que crescia dentro de si.
	Agora ambos somos livres. Por que no?
Blair retraiu-se e fitou-o com dureza.
	Eu j disse. Hoje preciso pensar.
Brad hesitou, mas argumentou, por fim:
	Estamos ligados um ao outro, Blair, mesmo sem o beb. Abaixe a guarda, anjo. No vou mago-la.
Ela caminhou at o pequeno vestbulo e abriu a porta.
	Voc  uma mulher obstinada.  Passou por ela e segurou-a delicadamente pela gola da blusa.  Telefone assim que tiver conversado com o mdico, ok?
Quando Brad saiu, Blair fechou a porta silenciosamente e girou o trinco.
Trs dias mais tarde, no sbado de manh, Brad voltou a ligar.
	Esperei sua ligao.
	Eu ainda no consegui marcar a consultaBlair mentiu.
	Ento, na semana que vem?

	Meu mdico estar viajando.
	No consegue uma consulta com mais ningum?
	Prefiro me consultar com meu mdico, que me conhece h anos.
	Est bem. Posso visit-la?
	Por qu?
Brad rangeu os dentes.
	Para ver voc, conversar. E no me diga que no temos nada para conversar.
Desde que o mdico lhe dera a confirmao, Blair transformara-se. Estava vendo o futuro de uma forma diferente. No momento, queria aproveitar sozinha os primeiros meses. Depois, quando ficasse evidente para todos, conversaria com Mitch e com seus chefes no banco.
Quanto a Brad, mais cedo ou mais tarde ele haveria de saber.
Ainda no precisamos conversarela disse calmamente.
	No me deixe de fora, Blair. Eu me importo com o que acontece com voc.
	Porque eu posso estar carregando um filho seu?
	Alm de outros motivos.
	Ah, ento voc s pode estar querendo...
	No coloque as coisas dessa forma.
	Est bem, mas voc no me passa outra impresso.
O pior era que Brad no podia negar esse fato. No conseguia mais pensar em Blair sem pensar em sexo, sem se lembrar da excitao do nico momento em que estiveram juntos, sem reprisar tudo em sua mente a ponto de ficar louco de desejo.
Estava excitado nesse momento, e sentiu-se frustrado ao perceber que, se ela quisesse, ele poderia lev-la ao mesmo auge da vez anterior. Provavelmente, essa no era uma atrao normal entre um homem e uma mulher, porque estava totalmente fora de seu controle.
	Eu procurei me afastar porque imaginava que voc havia escolhido Derek  ele disse com certa raiva.  Mas no o escolheu e desmarcou o casamento. Gostaria de saber que motivo tem agora para no me dar uma chance.
	No quero errar pela segunda vez  Blair explicou secamente.

	Voc vai direto ao ponto, no ?
Ela deu de ombros.
	Brad, por favor. Preciso ficar sozinha.

	No vou deixar voc sozinha. Pode estar grvida de um filho meu e no vou ficar fora disso!
	Oua uma coisa. Para variar, vou fazer o que tiver que ser feito,  minha moda. Se voc no aprovar, dane-se!
Blair desligou o aparelho e afastou-se.

CAPITULO VIII

No domingo  tarde, Blair recebeu uma visita que a surpreendeu.
	Derek!
	Ol, Blair. Posso entrar?
	O que voc quer, Derek?
	Preciso conversar com voc. Por favor, Blair, no vou demorar muito.
	Tudo bem, pode entrar e sentar-se.
	Obrigado.
Blair sentou-se no sof, diante dele. Ele apoiou os cotovelos no joelho e a fitou.
	O modo com que... hum... rompemos est me incomodando. Voc no merece o que eu disse e por isso peo desculpas.
	Obrigada  ela disse num tom baixo.
	Talvez voc j saiba que estou saindo com Marie Layton.
	Se o relacionamento  importante  ela ponderou s posso desejar o melhor a vocs.

	Voc  muito gentil, obrigado.
Com isso, s restou a Blair dizer:
	No h nenhuma razo para no continuarmos amigos.

	Eu gostaria muito, Blair.  Ela percebeu que ele hesitava.  Levou algum tempo para eu perceber, mas acho que no daramos certo juntos.
	Eu sei.
Obviamente aliviado, Derek ergueu-se e estendeu a mo. Levantando-se tambm, ela aceitou o gesto de paz e apertou-lhe a mo. Seria muito bom no ter que evit-lo quando se encontrassem na rua.
	Obrigada, Derek. Foi bom voc ter vindo.
	Adeus, Blair.
Ela levou-o at a porta.
	Adeus, Derek.
Vendo-o ir embora, Blair sentiu que boa parte de suas preocupaes haviam terminado. Agora, era resolver sua situao com Brad. Teria sido muito dura com ele?
J no estava mais certa se deveria mant-lo afastado de sua gravidez. No tinha certeza de mais nada. Conhecer Brad Barclay fizera com que ela rompesse velhos padres, o que lhe trouxera muitos dissabores; mas rejeit-lo era imaturidade. Especialmente com o grande alvio que sentia por no ter se casado com Derek.
Precisava dar uma chance a Brad. Ele ainda no sabia que o beb era uma realidade. Se eles tentassem e no desse certo, ento ela respiraria fundo e seguiria em frente.
Blair passou o resto do dia remoendo seus sentimentos e, depois de ter tomado suas providncias para a segunda-feira, pegou o telefone.
	Espero no ter acordado voc  ela disse, franzindo o cenho ao consultar o relgio.
	Oh, no se preocupe. Estou feliz por voc ter ligado.
Ento ele estava na cama. Imagin-lo deitado, com os cabelos desalinhados, com o corpo quente e sonolento, deixou-a ofegante. Ela precisou sentar-se.
	Gostaria de vir jantar comigo amanh  noite?
	Voc j tem novidades?
	Novidades? Ah, no, ainda no  ela respondeu, percebendo que ele estava se referindo ao beb.
Em sua cama, Brad sentou-se e ligou o abajur. Um convite de Blair era algo inusitado.
	Sim, gostaria muito  ele respondeu calmamente, apesar de estar curioso.  A que horas?
	Por volta das sete.
	Combinado.  Com a voz rouca ele acrescentou:  Voc no vai se arrepender, anjo.
Blair fechou os olhos, sentindo o calor subir pelo corpo. De sua parte, seu convite no deveria ter nenhuma conotao sensual.
	O convite no me inclui como sobremesaela asseverou.
A observao tomou-o de surpresa.
	Hum... claro, sem problemas. Vou me comportar, prometo.
	Obrigada. At amanh.
Ao desligar a luz, Brad ficou imaginando o que Blair teria em mente. Se no era um convite com segundas intenes, deveria ser algo relacionado ao beb. No. Ela afirmara que ainda no tinha novidades. Pelo menos, era o que ela dizia.
A ideia de ter um filho provocava reaes estranhas em Brad. Ele gostava de crianas. Dava-se muito bem com os sobrinhos, por exemplo. Comeou a imaginar uma criana em sua fazenda: um garotinho ou garotinha chamando-o de "papai" e pedindo o seu carinho. "Poderia at mesmo ensinar a criana a cavalgar, assim que fosse possvel", pensou, entusiasmado.
Ele teria uma esposa... Blair. Algum com quem compartilharia a cama todas as noites...
Blair abriu a porta para o seu convidado que, naquela noite, decidira deixar a arrogncia de lado. Brad surpreendeu-a com um .buque de flores.
	Ora... obrigada  ela gaguejou.
Ele estava com os cabelos cortados e penteados. Usava uma cala cinza, camisa de algodo branca e mocassins pretos. O fato de Brad ter se preparado com tanto esmero para um simples jantar tocou-a profundamente.
	Entre.
	Obrigado.
Blair conduziu-o at a sala, sentindo no ar o aroma do delicioso perfume que ele espalhava pelo ambiente.
	Por favor, sente-se. Vou colocar as flores na gua.
 Ela cheirou um dos botes de rosa do buque.  So maravilhosas.
Brad precisou segurar-se para no ir atrs dela. Blair estava estonteante com um vestido curto e sem mangas, de um rosa plido. Sentiu vontade de beij-la, de agarr-la. Ela voltou e colocou um vaso com as flores sobre a mesinha de centro.
Brad sentou-se em uma das poltronas, o olhar ousado e firme.
	Voc fica bonita de rosa.
Ela sorriu.
	Voc provavelmente deve estar imaginando por que o convidei para jantar.
	Isso passou pela minha cabea  ele admitiu.
	Bem, se houver um beb  ela falou cautelosamente , os pais pelo menos devem ter um relacionamento amigvel.
	Se houver um beb  ele retrucou rapidamente , os pais devem estar casados.
Blair limpou a garganta.
	No necessariamente, Brad. H pessoas que preferem...
	Numa cidade pequena como esta, Blair, as pessoas costumam comentar, principalmente quando o pai quer se casar e a me se recusa.
	Voc no vai sair contando nada por a...
Brad desviou o olhar.
	Para falar a verdade, no sei o que quero fazer.  Ele a fitou e sua expresso se suavizou.  Anjo, eu jamais magoaria voc intencionalmente.
	O que quer beber, Brad?
	O que voc tem?
	Cerveja, refrigerantes e ch gelado.
	Vou tomar uma cerveja, obrigado.
Blair tentou agir com naturalidade ao sair da sala. Na privacidade da cozinha, encostou a testa na superfcie fria da geladeira. Depois, abriu a porta e ruidosamente tirou de dentro uma garrafa de cerveja e um jarro de ch gelado.
Na sala, Brad ergueu-se da poltrona. Desinteressadamente foi at a porta da cozinha e apoiou-se no batente.
	Algo est incomodando voc?
Blair voltou-se rapidamente.
	Voc me assustou!
	Sinto muito.
Embaraada, ela tentou ocupar-se procurando os copos para as bebidas. O jantar estava no forno; era um simples assado. A salada verde estava na geladeira e a mesa fora posta.
	O jantar ser servido em quinze minutos  ela disse-lhe, e ps-se a arrumar os copos e as bebidas sobre a bandeja.
Brad aproximou-se para ajud-la.
	Eu carrego.
Na sala, depois de terem se servido, Blair arriscou um assunto mais ameno:
	Como vo as coisas na fazenda?
	Boas  ele respondeu.  Muito boas. E no banco, tudo bem?
	Tudo. Hum... tudo. Ocupada, como sempre.
Eles beberam mais um pouco e se entreolharam. Brad sorriu.
	Acho que no ganharamos nenhuma competio de conversa fiada.
Enquanto bebericava sua cerveja, Brad observou a expresso evasiva de Blair e teve uma revelao. Ela estava grvida, e agora o testava para saber se seria capaz de um relacionamento duradouro.
Virando a garrafa mais uma vez, ele quase terminou a cerveja. Ento assumiu uma expresso provocativa.
	Por que est bebendo ch? No gosta de cerveja?
	Gosto uma vez ou outra. Hoje estou com vontade de tomar ch. H algum problema nisso?  Ela repentinamente projetou o corpo para a frente.  Vamos deixar algo bem claro, Brad. O que voc bebe ou come, faz ou deixa de fazer, diz respeito apenas a voc. E,  evidente, o mesmo se aplica a mim.
Brad soltou uma gargalhada.
	Isso tudo s porque perguntei se voc gosta de cerveja?
	Por acaso disse alguma bobagem?
	E que importa o que eu penso? Aparentemente, voc  do tipo de mulher que morre de medo de ter seus direitos desrespeitados por um homem.
	E voc conhece tantas mulheres "liberadas" a ponto de se tornar um especialista no assunto?
O tom sarcstico aborreceu Brad.
	Se quer saber minha opinio, tudo isto  bobagem.
Quando um relacionamento  importante, tudo se resolve.
Blair ergueu a sobrancelha friamente.
	Que interessante! Minha velha me j pensava que respeito mtuo era crucial em um relacionamento.
	Mas para um relacionamento durar, s vezes  preciso ceder aos gostos do parceiro ou da parceira. Parece que chamam isto de... capacidade de adaptao  Brad concluiu, terminando de beber a cerveja.
	E o respeito?
	Respeito?
	Pelo ponto de vista do parceiro. Voc conhece duas pessoas que pensem exatamente da mesma forma sobre o mesmo assunto?
	Droga, no, claro!  Brad admitiu. Ele ergueu a garrafa vazia.  Tem mais?
Blair saiu para pegar outra garrafa e voltou rapidamente.
	Ento, como voc acha que duas pessoas devem agir quando chegam a um impasse? Quem est certo? Quem est errado?
Brad esfregou o queixo com a ponta dos dedos.
	Por que diabos estamos discutindo isso? Oua, eu tambm no sei como seria se estivssemos casados, mas... 
	No estou falando sobre ns! Est vendo como  fcil interpretar mal o que outra pessoa diz?
Ele a fitou gravemente por um bom tempo.
	Blair, eu posso discutir o assunto que voc quiser, mas no tente me confundir.
Com o apito do timer do forno, Blair se ergueu.
	O jantar est pronto.
Brad estava pensando de que maneira poderia retirar-se sem ser indelicado. Durante o jantar surpreendentemente delicioso e o caf servido depois na sala, ambos evitaram assuntos polmicos; mas fizeram isso to acintosamente que a noite comeou a ficar enfadonha.
No devia ser assim. Porm, acreditando que um pouco de presso naquele momento causaria mais mal do que bem, ele se ergueu e preguiosamente se espreguiou.
	Acho que  hora de ir. Obrigado pelo jantar. Estava delicioso.
O espreguiar-se de Brad foi o movimento mais sensual que ela j vira um homem fazer. Para Blair, todos os movimentos dele eram sensualssimos.
Acompanhando-o at a porta, disse-lhe:
	Obrigada por ter vindo.
	Podemos nos dar um beijo de boa-noite?
Blair desviou o olhar.
	Prefiro que no, Brad. No devemos...
Ele a segurou pela nuca e beijou-a longamente, de forma possessiva, e foi plenamente correspondido. Depois,
despediu-se.
Com as pernas trmulas, ela o viu partir, sem olhar para trs e sem pedir para se verem novamente. Simplesmente a beijara como se ela fosse sua e a deixara s, sofrendo os efeitos daquele beijo.
	Abusado!  ela murmurou, batendo a porta e desligando a luz da varanda. Esperava que ele entendesse esse gesto como uma agresso.
Naquela noite, Blair mal tocara no jantar. No restava dvida: Apaixonara-se por Brad, e no poderia haver pior ocasio para acontecer-lhe tal coisa.

CAPITULO IX

Nos dias seguintes, o humor de Blair mostrou-se extremamente instvel. Num momento, achava que poderia resolver sua vida sozinha. No momento seguinte, debatia-se com a perspectiva de um futuro negro e sem esperanas.
Suas opes no eram muitas, nem atraentes: poderia mudar-se de Houghton para um lugar novo ou ir para Seat-tle; poderia ficar exatamente onde estava; ou, ainda, aceitar o pedido de casamento de Brad.
Ele ligava todas as noites.
	Como voc est passando?
	Bem, eu acho.
	Blair, estou planejando uma reforma na casa e gostaria que viesse at aqui ajudar-me com a decorao.
	Brad, no sou decoradora.

	Talvez no, mas as mulheres j nascem com esse talento.
	Eu sou uma exceo.
Era mentira. Ela adorava fazer isso. Sua casa no era elegante, nem grande, mas tinha uma linda decorao.
	Precisamos nos ver, Blair.
	Talvez mais tarde.
	Quando?
	No sei. No me pressione, Brad.
Ele despediu-se secamente dela, batendo o telefone. A situao estava ruim tambm para Brad, que andava ansioso por resolver sua situao com a me de seu filho.
Depois de tentar esfriar a cabea num demorado banho, Brad vestiu-se, entrou em seu carro e partiu em alta velocidade. Quinze minutos depois, estacionava diante da garagem de Blair. Subiu as escadas da varanda e bateu  porta.
A casa estava silenciosa e s escuras. Ele bateu novamente, desta vez mais forte. A cabea de Blair apareceu por detrs da porta parcialmente aberta.
	Brad, eu j estava na cama!
	Quero entrar.
	Hoje, no.
	Sim, hoje!
Brad forou a porta e entrou. Ela no teve escolha a no ser sair da frente.
	Voc no tem o direito de entrar dessa forma!
Blair usava uma camisola curta, de tecido fino; e, embora a iluminao fosse parca, ela se sentiu exposta.
	No comece outro discurso sobre direitos!  Brad res
mungou.  Quero algumas respostas claras e no vou sair
enquanto no as tiver.
Ele aproximou-se de Blair que, instintivamente, deu um passo para trs.
	Voc foi ou no foi ao mdico? Por favor, Blair, no me trate como um idiota!
	Mas voc no me deixa escolha!.
Ele a seguiu at a sala escura.
	Quero uma resposta direta. Voc est grvida?
Blair afundou-se no sof. O longo silncio dela fora significativo. Tambm em silncio, ele deixou-se cair em uma das poltronas. Depois, disse:
	Ento, o que voc quer fazer?
Blair falou num tom baixo.
	Ainda no sei.

	Est procurando uma forma de se ver livre de mim, no est?
	Para dizer a verdade, sim.
	Por qu?
Ela o olhou com uma ponta de desprezo.
Preciso dizer?
	Voc no me odeia. Portanto, no tente me convencer do contrrio.
	Que ego o seu! Deve ser muito bom ter tanta segurana.
	Segurana? Com relao a voc? Ora, no me faa rir!
	Vou voltar para a cama. Feche a porta ao sair.
Blair levantou-se e fez meno de se retirar da sala, mas ele se postou diante dela, impedindo-a de seguir em frente:
	No tente fugir. Isso no vai lhe fazer bem.
	Agora est recorrendo  fora? Por favor, Brad, deixe-me passar.
	Ainda no.
	Relaxe  ele murmurou, abraando-a.  Voc ... irresistvel!
Mas Blair sabia o que aconteceria se relaxasse. J sentia a garganta seca; sua respirao j se alterava.
	Voc tem que me soltar  ela suplicou, com um sussurro.
	No vou fazer nada que no desejemos realmente.
	Brad, por favor, isso no vai dar certo.
	Talvez esta seja a resposta para tudo  ele disse, e se ps a beij-la com sofreguido. Mas Blair ainda resistia.
	No, Brad... Oh, no...
O protesto tornou-se um suspiro sensual. Como acontecera no quarto de Brad naquele final de tarde, ela estava sendo envolvida pelo clima de sensualidade.
Com uma mo na cintura de Blair e a outra entre seus longos cabelos loiros, ele ps-se a beijar-lhe suavemente o rosto.  Isso no  direito, Brad...
No mais suportando resistir, ela retribuiu o beijo, com muita paixo. As mos ansiosas de Brad j percorriam os contornos da cintura e dos seios de Blair, e logo subiam pela coxa macia.
	Blair... anjo...  Sua voz estava to carregada de emo o que ele prprio no a reconheceu.
As dvidas que ela ainda tinha desapareceram no torvelinho das sensaes que Brad a fazia sentir. Aceitar sua prpria sensualidade j era um grande passo; deixar-se novamente envolver pela sensualidade de Brad era a aceitao total.
Respirando aceleradamente, ela aproximou os lbios do ouvido de Brad.
	Quer conhecer meu quarto? .
Como resposta, ele se ergueu da poltrona, levando-a junto consigo.
- Onde fica?
	No corredor,  esquerda.
Ela riu suavemente, encantada com a excitao do momento.
	Esta porta  ela segredou-lhe ao ouvido.
Brad parou  porta.
	Acenda uma luz, Blair.
	Eu prefiro o escuro  ela sussurrou.
Ele entrou no quarto, e no custou a encontrar a cama. Aproximaram-se um do outro e se abraaram; assim ficaram por algum tempo, corpo contra corpo. Ela sentia-se feminina como nunca. Quase louco de prazer, Brad a beijou apaixonadamente, erguendo-lhe a camisola at deix-la totalmente nua.
Blair estava trmula.
	Voc est ficando com frio  Brad murmurou, colocando-a gentilmente sob as cobertas. Despindo-se com rapidez, praticamente arrancando as roupas, ele juntou-se a Blair na cama.
O contato de suas peles foi simplesmente arrepiante. Foi uma sensao adorvel.
	No estou tremendo de frio.  por sua causa.
	Eu a fao tremer?  Brad riu suavemente.  Voc me deixa to quente que eu poderia derreter um iceberg.
	No tenho dvida.
Em seguida, suas bocas se calaram com um beijo sfrego, quase desesperado. Seus corpos se entregaram a uma dana sensual e lenta.
Em seguida ele estava por cima de Blair, gemendo, amando-a. Ela retribua com toda a fora de seu desejo, gemendo tambm, contorcendo-se e movimentando os quadris. Debilmente lembrou-se de Brad ter lhe dito que aquilo iria acontecer novamente; e, de alguma forma, ela tambm sabia que aconteceria.
	Voc  perfeita...  ele sussurrou.  Perfeita!
Eles tinham a pele quente, suada, e a respirao irregular, ofegante. Ele a segurou pelos quadris para ergu-la para si; ela o envolveu com as pernas. As cobertas caram ao cho, sem que percebessem. Ele parou de mover-se para beij-la nos mamilos; ela gemeu profundamente, segurando a cabea de Brad contra seu seio.
Repentinamente, ela foi dominada pelo xtase, Lgrimas comearam a correr de seus olhos.
	Brad... Brad...  Era um grito de sua alma, uma splica.
Ele ouviu e entendeu. Tudo o mais se desvaneceu na busca final da satisfao do desejo.
Com a mente enevoada pela fora do prprio prazer, Blair no conseguiu falar por longos minutos. Ficou parada, aturdida, enquanto Brad, tambm transido de prazer, descansava. Ficou imaginando se um entrosamento sexual perfeito era o que bastava a um casal. Era o que havia faltado no seu relacionamento com Derek, e talvez fosse um elemento indispensvel a um bom casamento. Mas era o suficiente?
Brad ergueu a cabea e tentou ver o rosto de Blair no escuro.
	Voc  incrvel  ele murmurou.  Nunca vou me cansar de voc, anjo.
	Na cama.
	Pode apostar.  Brad tentou beij-la e surpreendeu-se quando ela virou-lhe o rosto.  Fiz algo errado?
	Tenho certeza de que voc  o melhor  Blair disse com a voz enrouquecida pelo choro.  E voc sabe disso.
Brad franziu a sobrancelha.
	Devo ter feito algo errado. Est zangada porque eu a fiz sentar-se em meu colo?
	No estou zangada com nada. Preciso me levantar.
Ele no se moveu.
	O que est acontecendo, anjo? Eu sei que voc gostou. Eu senti.
	No quero falar sobre isso. Deixe-me levantar.
Relutantemente, Brad a soltou. Ela ergueu-se e saiu do quarto.
Tateando, Brad alcanou o interruptor do abajur; a luz feriu seus olhos. Percebeu que a cama estava completa-mente sem cobertas. Esticando o corpo, ele puxou as cobertas sobre si.
Ento deitou-se, esperando que Blair voltasse.
Blair estava parada diante de sua imagem no espelho. O amor era uma emoo mstica. Poderia compreender toda a extenso do termo? Por que exigia tanto de Brad? Obviamente, ele lhe dava o mximo de si. Por que parecia no bastar?
Suspirando, ela tirou o robe do gancho e o vestiu. Desligando a luz do banheiro e abrindo a porta, Blair estranhou a luz em seu quarto. Munindo-se de coragem, entrou. Brad parecia  vontade em sua cama, apesar de sua expresso cautelosa.
Ele contemplou o robe.
	Est se sentindo melhor?
	Estou me sentindo...  Blair fez uma pausa  brutalmente vulnervel.
	O que quer dizer com isso?
Demorando-se perto de sua penteadeira, Blair distraida-mente pegou um vidro de colnia e, depois de um momento, largou-o novamente.
	Aquela proposta de casamento ainda est de p?
Brad ergueu-se, apoiando-se no cotovelo.
	Eu estaria aqui se no estivesse?
	E eu o conheo bem o suficiente para adivinhar seus passos?
Ele estreitou os olhos.
	Voc est pensando em nosso casamento, mas no est se sentindo feliz.
	Duvido que a perspectiva de um casamento repentino deixe algum feliz. Voc vai acabar se arrependendo, e ficar magoado comigo. No ser um bom casamento e duvido que v durar.
O rosto de Brad assumiu uma expresso grave.
	A esposa de meu irmo estava grvida quando eles se casaram, e eles tm um casamento bastante feliz. Voc est procurando problemas onde no deveria haver.
	Estou precisando pensar com calma. Pensei em tirar alguns dias de frias.
	Talvez seja uma boa ideia irmos juntos a algum lugar  props Brad.
	No. Eu preciso ficar s. Quando eu voltar, poderemos decidir a... hum...
	Data do casamento?  Exasperado, Brad saiu da cama, procurou suas roupas e comeou a vestir a cueca e o jeans.  Por que  to difcil para voc dizer?
	Tambm  para voc. No jogue a culpa s em mim.
Observ-lo  enquanto  ele  se  vestia era  to  ntimo quanto v-lo vestir-se. Ele mexia com sua feminilidade, no podia negar.
Brad ficou em p, abotoando a camisa.
	No pense que ficar sozinha vai ajudar muito.
	No vai ser ruim. Eu preciso de um tempo para pensar.
	Mas para que, se de qualquer forma vamos nos casar quando voc voltar?  Brad enfiou a camisa dentro da cala. 
	Parece que sim.  Blair suspirou.
Ele a fitou.
	Voc no est entusiasmada com a ideia.
	 claro que no  ela respondeu, com a cabea baixa.
Brad sentou-se na cama para vestir as meias. Ele ergueu os olhos para Blair e sentiu-se tomado por uma onda de ternura.
	Venha at aqui, anjo.
Para a cama? Blair balanou a cabea, recusando. Ele deu um tapinha na cama.
S quero que voc se sente aqui. Prometo.
Ela no se apressou. Quando chegou mais perto, Brad a segurou e a fez sentar-se ao seu lado, mantendo suas mos entrelaadas.
	Blair, estamos nisso juntos. No se esquea disso quando estiver longe de mim, est bem?
Os olhos de Blair se encheram de lgrimas.
	Est bem.
	E no chore, anjo.  Ele encostou a cabea de Blair em seu peito.  Tudo vai dar certo, acredite.  Ele massageou-lhe as costas gentilmente, suavemente. Depois rangeu os dentes, porque o inevitvel estava acontecendo: ficara excitado.
Ele deitou-se e puxou Blair suavemente para junto dele.
	Voc prometeu...
	E vou cumprir.
Segurando a nuca de Blair com sua mo, Brad beijou-a de uma forma que a deixou zonza. Com as mos de Brad em todas as partes de seu corpo, ela precisou reunir toda a sua fora de vontade para interromper o beijo.
	Boa noite  ela disse, num tom baixo.
	Voc quer que eu v embora...
Lentamente Brad ergueu-se.
	Eu preciso que voc saia  ela falou, caminhando at a porta do quarto.
Brad a seguiu.
	Posso ligar amanh?
	Se voc quiser...
Acendendo as luzes do corredor, Blair levou-o at a porta da frente. A caminhonete dele ficara estacionada diante de sua garagem por bastante tempo; os vizinhos j deviam estar comentando. Blair suspirou e abriu a porta.
	Boa noite, Brad.
Ele parou diante dela.
	Voc no vai partir sem me avisar, vai?
	No.
	Tudo bem. Ligo para voc amanh.  Inclinando-se, ele depositou um beijo suave nos lbios de Blair.  Boa noite, anjo.
Desligando as luzes novamente, ela voltou para o quarto, estendeu os lenis e as cobertas, colocou uma camisola limpa e deitou-se.
Mas manteve os olhos abertos, sabendo que no dormiria to rapidamente. Com efeito, o sono s chegou algumas horas depois.

CAPITULO X

Assim que teve oportunidade, na manh seguinte, Blair conversou com seu gerente. O sr. Hendrix no se ops a que ela se ausentasse por duas semanas, contanto que Winona pudesse dar conta do servio.
Winona, por sua vez, concordou prontamente em suprir a ausncia de Blair, e at fez um comentrio:
	Para falar a verdade, acho que voc anda um pouco abatida. Voc tem se sentido bem?
Pela primeira vez, algum percebera que algo poderia no estar bem com a sade de Blair. Por enquanto, as mudanas em seu corpo eram sutis, pouco perceptveis; mas logo se tornariam mais visveis. Teria que decidir entre casar-se com Brad ou preparar-se para um futuro sem ele.
Com a permisso do sr. Hendrix e a cooperao de Winona, Blair agora tinha uma tarefa pela frente: decidir onde passar as duas semanas de que dispunha.
Durante o horrio do almoo, Blair foi  nica agncia de turismo de Houghton e pegou uma srie de catlogos de hotis em Montana. Ela conhecia a funcionria, Martha Wicks.
	Planejando suas frias?  Martha perguntou, alegremente.
Ela fitou a funcionria.
	Tenho muito pouco tempo para decidir. Ser que isso vai ser um problema?
	Quando voc pretende viajar?
	Neste sbado.
Martha balanou a cabea.
	No sei, Blair. Teremos que ligar para os lugares que voc achar mais interessantes para saber se h vagas.
	Vou estudar estes catlogos e ligo mais tarde.
Momentos depois, ela estava no estacionamento de uma lanchonete, comendo um sanduche e consultando os catlogos. Tendo escolhido dois hotis, ela voltou ao banco e ligou para Martha.
	Vou verificar imediatamente. Ligo-lhe assim que tiver notcias  Martha prometeu.
Vinte minutos mais tarde, as notcias de Martha foram desapontadoras.
	Sinto muito, Blair, mas ambos os hotis esto com reservas esgotadas para as prximas duas semanas. Acho que tambm no vamos ter muita sorte com os outros, nesta poca do ano.
Porm, duas horas mais tarde, Martha voltou a ligar.
	Blair, encontrei algo de que voc poder gostar.  um lugar muito agradvel, embora isolado.
	O que , Martha?
	E uma moderna cabana de madeira  beira de um pequeno lago, a cerca de cento e sessenta quilmetros daqui. O proprietrio ocasionalmente a aluga, para clientes selecionados. Eu assegurei a ele que voc  uma pessoa confivel, mas deixei claro que ainda no a havia consultado. O que voc acha? Est interessada?
	Quanto me custar?
	Duzentos dlares por semana. Est totalmente mobiliada e tem roupas de cama e toalhas. Eu mesma j estive l, Blair. O lugar  um encanto. O nico problema  o isolamento, pois no tem nem telefone.
	Como so as estradas?
	Muito boas. Se me lembro bem, da estrada principal h uma estrada de cascalho, de vinte quilmetros, aproximadamente, que conduz at a cabana.
	Parece... interessante.  Blair pensou rpido. No era exatamente o que estava procurando: paz absoluta para ficar sozinha com seus pensamentos?  Martha, eu aceito. Preciso passar por a para deixar o cheque?
	Traga-o amanh, Blair. Preciso lhe dar um mapa e as chaves da cabana.
	timo. At amanh. E obrigada, Martha. Voc foi um amor.
Quanto mais pensava na cabana isolada, mais satisfeita ficava com sua deciso. Depois de voltar do trabalho, Blair comeou a selecionar roupas descontradas para as duas semanas. Ela compraria comida depois do expediente na sexta e partiria no sbado de manh. Era bom j ter um plano definido em mente.
Considerou que deveria lavar o carro. Mesmo sabendo que enfrentaria uma estrada de cascalho, queria viajar com o carro limpo.
Rapidamente, vestiu um velho short de jeans e uma camiseta. Depois de pegar um balde cheio de gua com sabo, uma esponja, alguns panos e a mangueira, ela tirou o carro da garagem e estacionou-o na entrada da casa. J havia ensaboado a frente do carro quando a caminhonete de Brad estacionou diante de seu porto.
	Pensei que voc fosse telefonar, e no vir at aqui  Disse-lhe, assim que ele desceu do carro.
	Decidi que vir seria melhor. Olhe, Blair, no vim at aqui para brigar com voc. S passei para saber de suas frias. J decidiu alguma coisa?
	Viajo no sbado pela manh  Blair respondeu com rispidez.
Brad estava ansioso por saber quanto tempo ela ficaria fora, e onde estaria. Mas era difcil fazer perguntas a uma garota que parecia determinada a arrancar a tinta de seu carro com uma esponja.
	Quer ficar quieta um momento?
	Preciso fazer isso antes que escurea.  Blair foi pegar a mangueira.  Afaste-se se no quiser se molhar  ela avisou.
Brad saiu do caminho e esperou que ela enxaguasse o sabo. Quando ela comeou a enxugar o carro, ele apressou-se em ajudar. Ambos trabalharam em silncio. Depois, ainda calada, ela devolveu o carro  garagem e saiu para guardar os objetos de limpeza.
Durante todo o tempo, Brad tentou manter a calma. Quando ela terminou de guardar tudo, j estava escurecendo.
	Posso entrar?  ele pediu.
Ela no estava disposta a ver repetir-se o acontecimento da noite anterior.
	Hum... hoje no. Vamos para os fundos. Podemos nos sentar no quintal.
Brad a seguiu. Quando ela sentou-se, ele se sentou tambm. Depois, fitou-a diretamente nos olhos, por um longo momento.  Voc quer saber a respeito de minhas frias... Como eu j disse, parto no sbado pela manh e fico duas semanas fora.
	Duas semanas? Por que tanto tempo?
	Duas semanas no  muito tempo.
	E tempo demais. O que espera que eu faa enquanto isso? Que eu cruze os braos e fique pensando se sou bomo bastante para voc?
Blair enrubesceu.
	Que coisa mais rude!
	Mas  a verdade, no ?
	Vou repetir pela ensima vez: eu quase cometi um grave erro com um homem e no quero saltar daquela situao para outra que  igualmente complicada.
Brad aproximou-se dela.
	Vai ser nebulosa se no tentarmos.
	Brad, no tente me convencer de que est entusiasmado com a ideia do casamento.
	Ora, Blair, no  apenas uma questo de entusiasmo.
Ser que alguma vez voc parou para pensar no beb?
	Muito mais do que voc, tenho certeza.
	Est pensando na criana como um ser humano?
Blair revirou os olhos.
	No, estou pensando nele como um gatinho! Em que voc acha que uma mulher grvida pensa?
Brad reclinou-se na cadeira, com uma expresso ctica. Ela sentiu-se incomodada e procurou mudar de assunto.
	Do que estvamos falando? Ah, sim, sobre minhas frias. Quando eu voltar...
	Para onde voc vai?
	Para uma cabana  beira de um lago.
	Em uma estncia?
	No,  uma cabana particular, a cerca de cento e sessenta quilmetros daqui. Quando eu voltar...
	Espere um momento. O que voc quer dizer com uma "cabana particular"?
	Brad, pare de me interromper! Tudo que sei  que se trata de uma cabana nova e agradvel  beira de um pequeno lago. Vou pegar o mapa amanh com Martha Wicks.

	Quem  Martha Wicks?
Blair suspirou, j sem pacincia.
	Ela trabalha na agncia de viagens de Houghton.

	Tenho a impresso de que essa cabana  isolada demais para o meu gosto.
	Se algum ouvisse nossa conversa  ela reclamou , pensaria que voc  meu pai.
	No sou o seu pai, Blair. Sou pai de seu filho.
Com uma expresso desalentada, Blair passou a mo pelo rosto.
	O que quer de mim? No est apaixonado por mim e eu no estou apaixonada por voc. Acredita mesmo que entrar numa igreja  a nica soluo para ns?
Brad chegou mais perto e lhe falou, com os lbios a poucos centmetros dos dela:
	 a nica sada que faz algum sentido. E como voc sabe que no estou apaixonado por voc?
Blair sentiu a pulsao mais acelerada.
	Est?
Ambos se olharam no fundo dos olhos.
	Talvez...  ele disse, finalmente.  Oua, por que no me deixa ir junto com voc no sbado?
Ela arregalou os olhos.
	Nas minhas frias? Brad,  por sua causa que tenho que me afastar.
O olhar de Brad se turvou.
	Este foi um golpe baixo.
	Com voc por perto, eu no conseguiria pensar.
	Essa foi a coisa mais tola que j ouvi  ele resmungou.  Ns precisamos passar algum tempo nos conhecendo!
	Como o tempo que passamos juntos ontem  noite?
Se voc fosse comigo, daria um jeito de passar as duas semanas na cama.
Ele no pde deixar de sorrir.
	Parece uma boa ideia, anjo.
	Mas no para mim. Bem, boa noite, Brad. Eu telefono quando voltar  disse Blair, fechando a porta dos fundos de sua casa.
Blair saiu de Houghton pouco depois das oito horas da manh do sbado. O dia estava fabuloso, cheio de sol, e havia uma brisa agradvel. Era bom pensar que teria duas semanas totalmente para si.
Tomando a estrada de cascalho, Blair diminuiu a velocidade. O percurso at a cabana era maravilhoso, e claramente identificado no mapa. Naquela regio o ar era mais fresco e naturalmente perfumado. O sol se filtrava por entre as rvores, projetando-se na estrada coberta de folhas.
Finalmente, depois de contornar a montanha, ela viu o lago e a cabana. Era um cenrio incrvel. A cabana ficava no p da encosta; era uma estrutura slida de troncos de madeira lustrosa. O lago era pequeno, mas brilhava como um espelho, e Blair logo viu diversos patos de pena escura nadando perto da terra. Em volta, as montanhas tinham tantas rvores que mais pareciam um mar verde. E, coroando toda essa linda paisagem, um cu azul lmpido e sem nuvens.
Blair sentiu-se mais leve. Nunca havia estado num lugar to tranquilo. Se no resolvesse seus problemas ali, no os resolveria em nenhum outro lugar.
Na tera-feira, Blair j havia explorado cada centmetro da cabana; caminhara muito em volta do lago, e at mesmo pescara, com um equipamento encontrado num armrio.
Subitamente, quando estava sentada  beira do lago admirando os patos, Blair pensou no beb. Sentiu que palpitava uma vida dentro dela; era como se uma flor se abrisse em seu ser.
Pela primeira vez, desde a confirmao do mdico, Blair sentia que seu beb e ela eram um s ser, e sentiu-se tomada por uma onda de amor. J podia se imaginar com a criana no colo, cuidando dela, vendo-a crescer, observando seus primeiros passos e ouvindo-lhe as primeiras palavras.
A criana era real, ela pensou, enxugando as lgrimas de seus olhos. Um ser humano, como Brad dissera.
Ela suspirou. A incapacidade de ela e Brad se comunicarem era o maior obstculo a uma relao duradoura.
Olhando para o cu, Blair notou que o sol j comeava a se pr. Nas montanhas, escurecia mais depressa do que em Houghton, ela pensou. Tambm pensou que, se a cabana tivesse um telefone, ligaria para Brad naquele momento, s para conversar um pouco. Admitia para si mesma que j se sentia s naquele lugar.
Dirigia-se para a cabana quando foi surpreendida pelo rudo de um motor.
 Quem pode ser?  murmurou, dirigindo-se at um ponto na varanda em que conseguia ver a estrada atravs das rvores.
No acreditou quando a caminhonete de Brad chegou  clareira. Porm, gostou da surpresa; diria a ele que havia chegado  concluso de que seu beb merecia o melhor comeo. No poderia mais impedir que ele tivesse um lar normal, com pai e me em casa.
Brad saiu do carro.
	Ol.
	Ol.
	Surpresa em me ver?  Ele comeou a caminhar na direo da varanda.
	Na verdade, no.  Blair tentou sorrir enquanto ele se aproximava.  Voc deve ter seduzido Martha Wicks para conseguir saber onde eu estava.
Ele sorriu.
	Tive que usar os sorrisos mais devastadores, anjo.
	Assim como est sorrindo agora.
Ele procurou ficar mais srio e contemplou a camiseta e o short de Blair.
	Como tem passado estes dias?
	Muito bem. Eu j ia preparar o jantar. Voc me acompanha?
	Obrigada.
Blair parou perto da porta de tela.
	E ento, o que acha da vista?
Brad deu uma olhada no lago e nas montanhas.
	Muito bonita, mas voc ainda  mais.
Ela no quis admitir, mas ficou encantada com o elogio.
	Verdade, Brad?
	Anjo, eu jamais vi mulher to linda quanto voc ele disse num tom grave e sensual.
	Voc veio para flertar comigo, Brad?

	Entre outras coisas, sim.
Blair engoliu em seco.
	Hum... vamos cuidar do jantar.
	Covarde  ele brincou.
Na cozinha, Blair abriu o refrigerador.
	No teremos nenhum banquete. Ser um sanduche e uma salada.
	Para mim, est timo.  Brad ocupou um banco ao balco.  Por favor, me avise se eu puder ajudar.
	Obrigada. Diga-me: Por que, exatamente, voc veio at aqui?
	Para ver como voc est.  Em seguida ele acrescentou:  Voc j tomou sua deciso?
	Sim.
	Bem, sou todo ouvidos.
Blair parou de partir a alface com a mo e o fitou.
	Eu...
	Vamos, anjo, diga.
Ela ergueu o queixo levemente.
	O casamento ser o melhor para o beb.
Brad empertigou-se no banco.
	Ser o melhor para todos ns.
Ela no desviou o olhar.
	Isso s o futuro nos dir.
	De que voc tem medo?  ele perguntou gentilmente.
 De tantas coisas... De terminarmos nos odiando, por exemplo. Tenho medo de faz-lo infeliz e me tornar infeliz, tambm. Tenho medo de que venhamos a nos sentir presos. Alm disso  ela acrescentou, abaixando os olhos para a alface que estava partindo , tenho medo da... infidelidade.
	Minha ou sua?
Ela ergueu o rosto.
	No estou falando da minha!
	Bem, ento refere-se a mim.  Descendo do banco, Brad deu a volta no balco.  Voc est planejando me afastar de sua cama quando nos casarmos?
Ela ficou corada.
	E claro que no!
	Ento por que eu procuraria outra mulher?  Blair desviou o olhar, mas ele a segurou pelo queixo.  Olhe para mim, Blair.
	No gosto desta conversa.
	E algo que precisamos discutir. Oua o que tenho a dizer, com muita ateno. Eu nunca, nunca serei infiel a voc, a menos que me force a isso. Uma moeda sempre tem duas faces, Blair. Voc  uma mulher sensual; quem disse que no encontrar outro homem?
	Eu jamais faria isso. Jamais!
	Essas perguntas so normais quando um casal est planejando casamento. Tudo se fundamenta na confiana.
Ela olhou para o sol poente atravs da janela.
	Derek... confiou em mim.
Brad fitou-lhe os lbios trmulos. Derek confiara nela, mas ela fizera amor com Brad Barclay. A verdade era terrvel, quando analisada por esse prisma.
	Mas voc no estava apaixonada por Derek, estava?
 Um sentimento novo comeou a assaltar os dois, que se fitaram longamente.  S a confiana no basta  Brad disse, com a voz enrouquecida.  Precisa haver... amor.
Blair respirou fundo.
	Acredito qu agora estejamos falando a mesma lngua. Voc tambm no est com medo, Brad?
Ele afastou-se e deu-lhe as costas.
	No sei... Preciso caminhar um pouco. Voc se importa?
Fique  vontade  ela murmurou, ainda sob o impacto do dilogo.  Eu aviso quando o jantar estiver pronto.

CAPITULO XI

Com os dedos trmulos, ela terminou de preparar a salada, para ento separar carne fria e queijo para os sanduches. Com determinao, procurou convencer-se de que saberia aceitar bem o que Brad decidisse.
Enquanto colocava a mesa, ponderava que, por mais dura que tivesse sido com ele, no dissera nada que no fosse pertinente. Quanto a Brad, ele tambm fizera um comentrio lcido; mas agora parecia inseguro, magoado.
Tendo aprontado tudo, ansiosamente Blair foi at a porta de tela da cabana. Brad estava  beira do lago, de costas, com as mos nos bolsos de trs do jeans. As lgrimas toldaram a sua viso. Aquele homem lhe propusera casamento no momento em que soube que ela poderia estar grvida. Era o homem que a levara s estrelas com seus beijos; o homem mais bonito, mais sexy, mais atraente que ela j conhecera.
 Ele  o melhor  Blair murmurou. Repentinamente sua mente foi invadida por uma srie de dvidas. Seria amor o que estava sentindo por Bradford Barclay? Estava apaixonada por seu corpo, seu charme, seu sorriso irresistvel, seus olhos, seu caminhar? Por seu comportamento determinado?
Ao mesmo tempo, foi assaltada pelo medo de ter acabado definitivamente com todas as chances de um futuro feliz, com suas observaes amargas, sua rejeio constante, sua prepotncia em julg-lo incapaz de levar um relacionamento adiante.
No estava sendo preconceituosa, acreditando que aquele casamento s teria sucesso sobre uma cama? Que chance tinha dado a Brad de mostrar-se um homem por inteiro, alm de um amante notvel?
	Brad!  ela chamou.  O jantar est servido.
Ele voltou-se.
	J estou indo.
Ela sentiu que aquela voz grave estava mais fria, menos confiante.
Quando ele chegou mais perto, ela comentou:
	No  um lago adorvel?
Dessa vez, Brad no disse que preferia olhar para ela.
	 um lago bem bonito.
Blair segurou a porta para ele passar.
	O banheiro fica no corredor, se voc quiser lavar as mos.
	Obrigado. Eu j volto.
Correndo para a cozinha, ela encheu dois copos com leite. Seu corao pulsava violentamente.
	Voc  uma idiota!  ela se repreendeu.
Brad entrou na cozinha.
	Estava falando sozinha?
Blair sorriu timidamente.
	Acho que passei muito tempo comigo mesma. Sente-se. Vamos comer.
Eles fizeram sanduches e se serviram de salada.
	Ainda est planejando ficar aqui mais tempo?  Brad quis saber.
Ela tomou um pouco de leite.
	Agora no tenho tanta certeza.
	Por causa de nossos planos?
Blair arregalou os olhos. Talvez ele ainda estivesse pensando em se casar com ela!
	Sim, por causa de nossos planos.
	Acho que  melhor nos casarmos imediatamente  ele disse.  Enquanto voc ainda tem algum tempo.  Ele inclinou-se na direo de Blair.  Voc pretende continuar trabalhando?
A pergunta a pegou de surpresa.
	 claro que sim!
	E depois que o beb chegar?
	Eu... eu ainda no pensei nisso, mas no vejo motivo para no continuar trabalhando.
	Creio que ser melhor se ns morarmos na fazenda.
Blair ficou mexendo com a salada no prato, sem nimo para comer.
	Tambm acho.  Ela ergueu os olhos.  E o que voc quer?
	Eu no poderia morar na cidade.
O tempo todo ela se perguntava quando, exatamente, apaixonara-se por ele. Antes ou depois de terem feito amor? Em que minuto a sua averso pela arrogncia daquele homem transformara-se numa paixo arrebatadora?
Ela queria perguntar se havia uma pequena chance de ele estar sentindo o mesmo. Seria to melhor se fosse possvel! Mas no tinha coragem de perguntar tal coisa.
Suspirando silenciosamente, ela empurrou o prato para trs. Brad tambm colocou de lado o sanduche inacabado. Seus olhares se encontraram.
	E ento? O que vem a seguir?
: A seguir?
	Sim. Qual ser a data?
	Oh, sim, a data do casamento. Bem, no sei ainda.
Ela sentia-se insegura. Precisava encontrar um modo de consertar a situao. Jamais fora generosa com ele; talvez tivesse tempo de se redimir.
	Gostaria que voc passasse a noite aqui, Brad.
Ele a fitou, desconfiado.
	Por algum motivo especial?
	Voc ficaria, mesmo sem um motivo especial?
Brad recostou-se na cadeira, intrigado. Estava quase certo de que seria mandado embora mais uma vez.
	Primeiro voc no queria que eu viesse, e agora quer que eu fique?
	Sei que pode no estar fazendo sentido para voc.  Blair ergueu o queixo e fitou-o com determinao.  Mas acho que ser importante.
	Tudo bem, anjo, eu vou ficar. O resto depende de voc.
	Hum... timo.
A mente de Blair comeou a trabalhar rapidamente. Como lev-lo at seu quarto de forma sutil? Apesar de se considerar uma pessoa romntica, no sabia como seduzir um homem. Porm, seus instintos femininos estavam aguados.
Considerando os momentos seguintes como um desafio, ela levantou-se.
	Voc se importaria de dar outro passeio l fora?
Brad ergueu-se, lentamente.
	Quanto tempo quer que eu fique esperando?
	Estou pensando em acender a luz da varanda quando estiver preparada. Est bem para voc?
Ele contemplou o short e a camiseta que Blair usava, imaginando que tipo de surpresa ela poderia estar lhe reservando.
	Parece uma boa ideia. Vou ficar esperando.
O modo com que ele a contemplou foi um encorajamento. Blair percebeu que aqueles olhos azuis profundos voltavam a ter um brilho quente, sensual.
	No v muito longe. No pretendo me demorar.
	At mais  ele disse, passando por ela sem toc-la.
Blair respirou fundo e comeou a agir. Primeiro tirou a mesa e colocou os pratos dentro da pia. Depois correu para o quarto e inspecionou o guarda-roupas. O que haveria de usar? No trouxera nada adequado para a ocasio! Precisava encontrar uma soluo.
Correndo para o banheiro, comeou a encher de gua a banheira. Pelo menos tinha sais de banho, com seu aroma favorito.
"E agora, o que mais? Ah, sim, velas!", ela pensou. Havia uma gaveta cheia de velas na cozinha. Ela encheu uma vasilha com velas e tirou uma pilha de pratos do guarda-louas. Depois, levou tudo, alm dos fsforos, para o quarto. Gastou pelo menos cinco minutos derretendo as velas para prend-las nos pratos. Em seguida, correu para o banheiro e desligou a gua.
Finalmente, despiu-se e mergulhou na banheira com gua perfumada.
Brad ficou esperando na beira do lago. A cada cinco minutos, olhava para a varanda; sua ansiedade era grande..
No entanto, mais que ansioso, ele estava preocupado. Logo seria um homem casado. Blair significava muito para ele, mas como saber se estava verdadeiramente apaixonado? Sempre se relacionara bem com as mulheres; mas com Blair era diferente. Quando ela sorria, fazia-o tremer de emoo, de felicidade; no seria isso amor?
As estrelas comearam a aparecer no cu e o ar j ficava mais fresco. Ele calculou que a criana nasceria em abril. Talvez, em abril, ele e Blair j tivessem aprendido a conviver bem.
Olhando para a cabana, Brad sentiu o corao saltar em seu peito. A luz da varanda estava acesa.
Blair ouviu os passos de Brad na varanda e o som da porta sendo aberta.
	Blair?
Ela ficou calada.
Brad esperou que seus olhos se acostumassem  escurido. Depois, percebeu a luz proveniente de uma porta no corredor. Ele andou at aquela porta, respirou fundo e entrou.
O quarto estava repleto de velas acesas: no batente da janela, em cima da cmoda, sobre uma mesa. No meio da cama estava Blair, vestida apenas... com um lenol branco sobre o corpo, deixando entrever as longas pernas. Seus cabelos brilhavam; seus lbios brilhavam com um sorriso misterioso.
	Anjo...  Seu olhar sensual disse tudo o que ele no conseguiu dizer.
	Venha.
Brad deu dois passos adiante. Ela ergueu o corpo, apoiou-se no cotovelo e sorriu.
	Pensei que voc gostasse do escuro, anjo.
Blair estendeu uma das pernas languidamente.
	No esta noite.
Sem apressar-se, Brad aproximou-se.
	Est linda, lindssima. Como voc  atraente, amor!
	E voc  sem igual, Brad  ela disse com sua voz sedutora. Mas sua sensualidade no era fingida. Sentia-se sensual, feminina, aquecida com o fogo que via no olhar de Brad.
	Verdade?  Ele sentou-se na beira da cama. O ar estava perfumado com a fragrncia que ele j associava a Blair.
Surpreendendo-o, Blair levou a mo a um dos botes da camisa de Brad:
	Posso?
Brad deixou que ela lhe desabotoasse a camisa. Sua pulsao estava acelerada. Ele fitava o rosto de Blair enquanto sua camisa era retirada.
	Gosto de voc deste jeito, anjo.
	Esperava que voc gostasse  disse Blair, e ps-se a beijar o peito nu dele.
Brad comeou a admitir a possibilidade de estar apaixonado por ela. Qual seria sua reao se lhe contasse? Riria? Rejeitaria a ideia, considerando-a absurda?
	s vezes penso que a palavra "mistrio" foi criada para descrever uma mulher  ele murmurou, com a voz carregada de desejo.
Ela riu docemente.
	Est dizendo que no me entende, Brad?
	Como poderia? Num momento voc est fria como o gelo; no outro, parece querer devorar-me.
Ela acariciou provocantemente os lbios de Brad.
	Isso porque voc  bonito e sensual. Quando estou em seus braos, sinto-me mais mulher do que nunca.
Todos os sinais de hesitao desapareceram do rosto de Brad.
	E quando voc est em meus braos, anjo, sinto que vou voar.
Uma corrente de ar entrou pela cabana, fazendo a chama das velas tremer.
	Faa-me voar, Brad  ela suplicou sussurrando. Voc  o nico homem capaz disso.
Daquele momento em diante, tudo o que importava era o desejo que sentiam um pelo outro. Beijando-se sofregamente, entre gemidos, eles se estenderam na cama. O lenol que cobria o corpo de Blair logo repousava no cho.
	Voc  to linda  ele disse, ofegante.
Enquanto a beijava, suas mos experientes desceram at
o local mais sensvel das coxas de Blair. Governada pela paixo, ela retirou o cinto da cala de Brad, que, por sua vez, chutou suas botas para longe.
Ele afastou-se um instante para livrar-se das roupas. Blair o observava despir-se, com adorao.
Nu, ele a abraou, e o contato de suas peles foi como um choque eltrico, um choque de prazer.
Quando ele enfim a possuiu, as lgrimas rolavam pelo rosto de Blair.
	Brad... oh, Brad  ela murmurava.
	Blair...
Uma grande ternura dominava suas mos, seus lbios, seu corpo. Embora no conseguisse dizer o que ia em seu corao, seus gestos estavam impregnados de calor, de emoo. Ela respondeu da mesma forma, e a intensidade do amor que fizeram levou-os ao mais completo xtase.
O momento final foi desatinado, maravilhoso. Blair podia jurar ter alcanado as estrelas; Brad estava to saciado que nem queria se mover. Ficaram deitados  luz das velas, plenamente satisfeitos.
- Voc voou, anjo?
Ela sorriu serenamente.
	Eu voei... e ainda estou voando.
Ele riu gostosamente e fechou os olhos.
	Isso  bom... muito bom.
Mas os olhos de Blair permaneceram abertos. Agora eles deveriam conversar; mas como iniciar a conversa? Como falar de amor, tema to complicado? Poderia dizer, por exemplo: Brad, estou apaixonada por voc. Ou acho que estou. No, tenho quase certeza. Considere a possibilidade de eu estar apaixonada por voc. Voc sente da mesma forma? Quando voc pensa em mim, pensa com amor?
Talvez fosse melhor deixar a natureza seguir seu curso.
Talvez, de alguma forma, ele viesse a demonstrar seus sentimentos sem que ela precisasse instig-lo.
Havia sentimento entre eles; disso ela no tinha a menor dvida. O problema  que haviam comeado de forma errada; ele, agindo como um conquistador, e ela, barrando-lhe todos os avanos.
Na primeira vez em que se amaram, na fazenda, ela ainda teve que levar Derek em considerao. Agora, no entanto, podia pensar com mais clareza, avaliar melhor seus sentimentos.
Brad, por sua vez, tambm estava indeciso. Ele lutara contra a resistncia de Blair no incio, e agora parecia estar com medo de tentar novamente.
No entanto, achavam-se na mesma cama, envolvidos no mesmo abrao, saciados de uma relao que fora muito mais do que sexual.
Talvez, no caso deles, somente o sexo bastasse; talvez fosse tudo o que viriam a compartilhar pela vida afora.

CAPITULO XII

Na manh seguinte, ao despertar, Blair ficou desapontada quando percebeu que estava sozinha na cama. Obviamente, Brad acordara antes dela, mas onde se encontraria? Chamou por ele, mas no obteve resposta; devia ter sado da cabana.
Levantando-se da cama, Blair pegou o roupo e foi banhar-se. Ela cantarolava sob o chuveiro, pensando com oti-mismo no dia que teria pela frente. Certamente Brad no desejaria partir ainda pela manh e o isolamento da cabana era perfeito para dois amantes. Se quisessem, poderiam at fazer amor  beira do lago.
Blair riu, encantada com a ideia. Antes de conhecer Brad, jamais imaginara fazer amor ao ar livre. Para falar a verdade, nem pensava muito em sexo. Por causa de Brad, tornara-se uma mulher sensual.
Graas a Brad, tornara-se uma mulher feliz.
Vestida e pronta para enfrentar o dia, Blair saiu da cabana para procurar Brad. Como imaginara, ele estava  beira do lago.
Ela parou na varanda.
	Ei, querido! Quer tomar o caf da manh comigo?
Brad voltou-se, sorrindo.
	Finalmente levantou-se, hein?
	H quanto tempo est de p?
	H cerca de uma hora.  Brad comeou a caminhar na direo dela.  Voc estava dormindo e procurei no acord-la.
Blair correu ao seu encontro e o abraou. Eles se beijaram com volpia.
	Voc prefere o caf da manh na cama, querido?
	Isso me passou pela cabea, anjo.
Ela tocou-lhe os lbios com a ponta dos dedos.
	Preciso lhe perguntar algo: est planejando partir em um futuro prximo?
	Est ansiosa para que eu v embora?
	Eu prefiro de todo o corao que voc fique, mas... se voc tiver que voltar para a fazenda...
Ele beijou os dedos delicados.
	No tenho pressa. Sam est l. Posso ficar pelo menos at o final do dia.
	Que bom.
	Verdade, Blair?  Brad parecia mais srio do que nunca.
	Verdade  ela respondeu, sorrindo.  Agora voc quer comida ou...?
Brad no pde deixar de rir.
	Meu estmago est roncando. Acho que preciso comer.
De braos dados, eles subiram as escadas da varanda e entraram na cabana.
	O que voc prefere: ovos ou cereais?  Blair perguntou enquanto se dirigiam  cozinha.  J sei: vai querer torradas e omelete.
	Excelente ideia.
Blair encarregou-se de preparar tudo. Brad ajudou-a no que pde, mas esmerou-se mais em toc-la e beij-la sempre que se aproximavam. Ela sentia-se cada vez mais feliz.
O que aconteceu depois de terem comido deixou-a ainda mais satisfeita: conversaram. Blair falou de seus pais, de Mitch e de como crescera em Houghton. Ele contou-lhe como fora sua vida no Colorado.
	Voc gostaria que seu irmo e a famlia viessem para o casamento?  ela perguntou.
	Acho que Jack gostar de vir  ele respondeu aps alguns segundos.  Vou ligar para ele.
Blair meneou a cabea.
	Concordo.
	Ligarei hoje  noite. Mas vamos decidir a data, para que eu tenha algo concreto para dizer a ele.
	O prximo fim de semana est bom para voc?
	Est perfeito.
Pouco depois, os dois caminhavam pela trilha em redor do lago; Blair havia prometido a Brad esse passeio. *
	No h exatamente uma trilha - ela explicou.  H somente alguns poucos pontos onde a passagem no  muito definida. Consegui dar a volta sem problemas.
Depois de terem andado cerca de um quarto do percurso, eles pararam para observar um grupo de patos nadando.
	Estive pescando outro dia  Blair contou.  Imagine que peguei duas lindas trutas!
	Voc gosta de pescar?

	No fique to surpreso!  ela disse, com um olhar maroto.  Eu adoro pescar. Por que voc est rindo?
	Quando poderia imaginar isso de voc?
	No me conhece to bem quanto pensa, Brad Barclay.
 Jogando o cabelo para trs, ela retomou a caminhada.
Sorrindo, ele observou o modo petulante com que ela mexia os quadris ao caminhar.
	No momento s estou pensando que, se voc continuar a caminhar deste jeito na minha frente, vamos ter que interromper nosso passeio.
Rindo gostosamente, Blair seguiu em frente. Brad alcanou-a e segurou sua mo. No ponto mais distante do lago, eles pararam novamente e olharam para a cabana ao longe.
	 uma linda cabana, no ?  Blair murmurou.
	Quem  o dono?
	Eu no o conheo. Martha disse que faz muitas exigncias para alugar.
Eu no o culpo,  um lugar e tanto. Aparentemente, voc no teve nenhum problema.
Blair sorriu.
	Tenho uma excelente reputao, sr. Barclay.
	No  por isso que est se casando comigo, para manter sua boa reputao?
Blair hesitou e ento explicou cautelosamente.
	Ns j falamos sobre isso, Brad, sem chegar a uma concluso. Voc deve estar imaginando que tomei esta deciso simplesmente por estar com medo do que as pessoas vo pensar de mim.
Ele respirou fundo.
	Acho que isso seria normal.
	Sim, mas...
Ela calou-se. Brad no dissera o que ela estava esperando, mas no lhe pareceu prudente for-lo. Ambos estavam se acostumando a uma nova condio. At a noite passada, eram pouco mais que antagonistas. Hoje estavam diferentes, mais prximos, e Blair no iria minar o progresso que tiveram, julgando tudo o que ele fazia e dizia.
Voltaram a caminhar, dessa vez mais calados, cada qual com suas elucubraes. Depois de alguns minutos, Blair exclamou:
	Veja! H uma pequena trilha entre aquelas rvores.
No notei isto na ltima vez que passei por aqui. Vamos ver onde vi dar?
	Blair...
	Venha. No seja um desmancha-prazeres.  Blair embrenhou-se na trilha estreita.
Sem saber por que, Brad ficou preocupado. Seguir a configurao do lago fora fcil e agradvel; explorar um terreno totalmente desconhecido no estava lhe parecendo uma boa ideia. Normalmente, um territrio estranho ser-lhe-ia um grande desafio; mas, agora, acossava-o um estranho pressentimento.
	Blair, vamos voltar.  As rvores e os arbustos estavam to emaranhados que pareciam um tecido.  Venha, j fomos longe demais.
	H uma clareira ali adiante  ela falou por sobre o ombro, seguindo adiante.  Quero investigar.
Com o semblante tenso, ele seguiu caminhando. Mas a vegetao j retardava seus passos e Blair estava pelo menos cinco metros  sua frente. Ento, como em um passe de mgica, ela desapareceu.
	Blair!  ele gritou desesperado, pensando, a princpio, que ela estivesse brincando de esconde-esconde. Seu segundo pensamento foi mais dramtico: ela havia mesmo desaparecido! Correndo o mais que pde, ele mal teve tempo de parar e quase rolou pela escarpa. Blair estava cada quatro metros abaixo, inerte, calada.
	Blair!
Brad lanou-se escarpa abaixo, com o corao disparado. Ajoelhou-se ao lado dela.
	Blair... meu Deus... Blair...  Ele a tocou no rosto.
Os olhos estavam fechados, a pele plida. Ento, viu a pedra sob os cabelos loiros.  Ah, Deus, no! Blair...
acorde! Blair...
Sentiu-lhe o pulso e ficou mais aliviado. Estava irregular, mas forte.
Por que no havia uma placa alertando que se tratava de um lugar perigoso? A raiva toldou seu raciocnio, mas ele procurou controlar-se. Precisava pensar rpido; ela estava com a cabea machucada, e talvez houvesse outros ferimentos. Contemplou a escarpa. Mais para cima, a subida se suavizava. Cautelosamente, passou os braos por baixo do corpo de Blair e ergueu-a. Comeou a andar, o crebro trabalhando como uma mquina.
A cabana no tinha telefone. Ele lembrou-se do que Martha Wicks dissera:
	O proprietrio prefere assim, Brad. Blair j sabia disso quando alugou a cabana.
Uma fora sobre-humana, nascida do desespero, o fez carreg-la como se fosse uma criana. Seus passos eram largos e determinados. Tinha de chegar  cidade mais prxima, onde encontraria um mdico. "Ela h de ficar bem", pensou, aflito.
Mas, como a trilha parecia no terminar nunca, Brad preferiu voltar, pelo mesmo caminho pelo qual viera, para ter certeza de que no iria se perder. Blair continuava inconsciente; ele sentia seus braos fraquejarem, e j respirava com dificuldade.
Mesmo assim, no esmoreceu at alcanar a cabana. Quando conseguiu, j tinha decidido que levaria Blair a um mdico.
Abrindo a porta do carro, cuidadosamente colocou Blair no banco de trs. Percebeu, horrorizado, que a manga de sua camisa estava ensopada de sangue.
Mas no se deixou abater. Entrou na cabana, pegou as chaves do carro, um travesseiro para pr sob a cabea de Blair e um lenol para cobri-la, e partiu dali o mais rpido que pde.
As plpebras de Blair se ergueram timidamente. A luz molestou seus olhos, e ela as fechou novamente. Sua cabea doa. O que havia acontecido? Onde estava?
Havia algum chorando desesperadamente ao lado dela. Forou-se a abrir os olhos novamente; percebeu ento que estava numa cama, e quem chorava ao seu lado era Brad.
Com um esforo monumental, ela ergueu uma das mos e pousou-a sobre a cabea de Brad.
	Ah, meu querido  ela murmurou.  Por que voc est assim?
Ele ergueu a cabea rapidamente. Seu rosto estava molhado de lgrimas.
	Voc est consciente.  Enxugando o rosto, ele ergueu-se e saiu correndo.
	Brad?  Sentindo-se zonza, ela fechou os olhos para a luz forte.
	Blair? Abra os olhos.
Ela obedeceu  voz autoritria e viu um rosto estranho diante de si. Umedeceu ento os lbios secos.
	Onde estou?
	No hospital. Sou o dr. Ingram. Voc est me vendo?
	Acho que sim.
	Voc recebeu um golpe e tanto na cabea, mocinha.
Est com uma leve concusso.  Depois de examin-la por mais alguns minutes, o mdico acrescentou:  Voc vai se recuperar. S no se apresse em sair da cama. Quero que passe aqui esta noite; veremos como voc vai reagir. O mdico voltou-se para Brad:
	O resto  com voc.
Brad meneou a cabea afirmativamente. Seus olhos estavam vermelhos, mas ele no se importava. Nenhum dos dissabores que tivera na vida o preparara para o que estava enfrentando.
Blair tateou a bandagem em sua cabea. Com a sada do mdico, Brad sentou-se  beira da cama.
	Como est se sentindo?
	Pssima. Minha cabea est latejando.
	Eles tm algumas restries quanto a dar analgsicos a pessoas feridas na cabea.  Ele segurou a mo de Blair.
	O que aconteceu?  ela sussurrou.

	Voc no se lembra de quando caiu?
Ela franziu o rosto.
	Vagamente.

	Aconteceu de uma hora para a outra. Voc caiu numa escarpa.
	Como cheguei ao hospital?
	Eu trouxe voc.
	Voc me tirou de l?
	Sim.
	Por que est chorando, Brad?
Ele engoliu em seco.
	No h uma forma suave de lhe contar, Blair. V... Voc... perdeu o beb.
	Mas eu s bati com a cabea...  Seu corpo retesou-se.  Oh, no! Brad, voc deve estar enganado. Quem lhe disse isso?
Ela comeou a soluar.
	Calma, anjo.  Ele tinha a voz embargada.  Eu no tenho respostas... nem os mdicos. Voc tem que ser forte.
Ela no queria ser forte. Queria afogar-se em seu desespero. A dor em sua cabea no era nada comparada  dor em sua alma. Seu beb estava morto. Por qu? Sua me sempre afirmara que Deus nunca fechava uma porta sem deixar uma janela aberta. Quis ento procurar a tal janela, mas s encontrou paredes brancas e frias.
As lgrimas corriam novamente do rosto de Brad. Ele debruou-se sobre Blair e abraou-a.
	Acalme-se, anjo. Tudo vai dar certo. Voc vai poder ter outros filhos.
Nada que ele dissesse ou fizesse aliviaria sua dor. O beb nascera de um acidente... e se fora com outro acidente. Ela sentiu-se submersa em agonia, em culpa. Fora sua culpa. Se tivesse dado ouvidos a Brad....
	Blair... por favor, meu bem, tente se acalmar  Brad suplicou. Sentando-se, ele enxugou as prprias lgrimas.
Pensando novamente na criana, ela virou o rosto para o lado e escondeu-o com as mos.
	No vou aguentar... no vou  ela soluou.   minha culpa. Eu matei o nosso beb.
Brad agarrou suas mos e tirou-as da frente de seu rosto.
	Oua o que tenho a dizer: foi um acidente.
	Minha culpa!  ela gritou. O rosto crispado de Brad a fez sentir-se ainda pior.  Por favor, v embora. Preciso ficar s.
	No posso deix-la assim.
	V. Por favor. Agora, no precisa mais se casar comigo. Deixe-me em paz.
A rejeio foi como uma faca no corao de Brad. - Voc ainda est sofrendo muito, querida; quer descarregar sua raiva em mim porque...
	Est errado. Sim, estou sofrendo, mas o que lhe disse  a mais pura verdade. Voc teve uma atitude honrada, portanto sua conscincia est limpa. Agora que o beb j no existe... V embora!
Ele no esperava que Blair se voltasse contra ele. Mesmo ferido, disse, erguendo-se:
	Voltarei mais tarde.
Ela no respondeu. Virou a cabea para o outro lado, evitando encar-lo. Como resultado, teve uma forte pontada de dor. Contraindo-se, ela fechou os olhos.
Brad ainda ficou alguns momentos a contempl-la antes de sair.
Com indiferena, Blair movimentava a comida dentro do prato com a ponta do garfo. Sua dor de cabea diminura, graas a um analgsico dos bons. Um segundo mdico, um ginecologista, viera tambm, para falar sobre o aborto.
	No houve nenhum dano a seus rgos, Blair, portanto voc poder ter outros filhos tranquilamente. Perder um beb atinge diferentes mulheres de diferentes formas; sendo assim,  natural que voc sofra. No entanto, preciso lhe dizer uma coisa que pode.ou no lhe trazer algum tipo de conforto.
O mdico a fitou longamente antes de prosseguir.
	Algumas vezes, a natureza tem mtodos prprios para lidar com um feto imperfeito. Voc poderia ter abortado mesmo sem ter cado.
	O senhor est dizendo que meu beb no era perfeito?
	Estou dizendo que esta  uma possibilidade. Tente no se culpar.
A mensagem do mdico foi clara, mas Blair no a aceitou totalmente. O acidente acontecera por sua prpria negligncia; isso no se poderia negar.
Martha Wicks tambm foi visit-la naquela tarde.
	 terrvel falar sobre isso, mas  preciso que voc entenda que ultrapassou os limites da propriedade que alugou.
	Eu no pretendo processar ningum, se  isso que a preocupa.
	Essa possibilidade passou por minha cabea. O proprietrio ficou bastante preocupado com seu estado; mas ele realmente no tem nenhuma culpa.
	Diga-lhe que no se preocupe. A responsabilidade  toda minha.
Depois que Martha foi embora, ela respirou fundo e olhou atravs da janela para os ltimos raios de sol. Estava to feliz h pouco, e agora... seu mundo cara. Uma vida se apagara, ainda dentro dela. E Brad, escorraado, se fora.
Blair mordeu o lbio para conter o choro. Brad sempre seria o homem mais importante de sua vida. Ela no sofreria para sempre, como estava sofrendo agora; tudo voltaria ao seu ritmo normal. Tinha seu trabalho, seu irmo; mais dia, menos dia, haveria de se recuperar.
	Ol.
Blair virou o rosto cautelosamente para a porta. Brad estava l, parado, com um buque de flores. Ela sentiu-se viva novamente.
	Ol.
Ele entrou. Aparentava cansao; estava plido e tinha olheiras.
	Trouxe umas flores para voc.
Ela recuperou a voz.
	So lindas. Obrigada. Esto em um vaso?
	Sim, claro. Onde devo coloc-las?
	Ali, sobre aquela mesa, onde eu possa v-las.
 Est se sentindo melhor?

	Muito melhor. O dr. Ingram me receitou um analgsico esta tarde. J est fazendo efeito.  Ela o fitou.  Pode sentar-se, se quiser.
	Obrigado.  Brad ps uma cadeira perto da cama e sentou-se.  Voc jantou?
	H cerca de quinze minutos. Voc est bem?
	Sim, obrigado. Isto , mais ou menos. Blair, h algo que preciso lhe dizer.
	Por favor, diga  ela respondeu, pronta para ouvir tudo o que ele tivesse a dizer. Talvez ainda houvesse alguma esperana para os dois. 
	Pensei nisso o dia todo. Trata-se de algo que na verdade sempre esteve em mim, mas eu nunca tinha me dado conta...  isto. Eu amo voc.
Atordoada, Blair s conseguiu fit-lo por longos momentos.
	Diga algo!  ele pediu, finalmente.
	A nica coisa que posso dizer  que o amo tambm.
Eles se contemplaram com ternura, com felicidade.
	Voc tambm? Tem certeza?

	Certeza, mesmo, eu s tive ontem. Foi por isso que lhe pedi que passasse a noite junto comigo. Eu esperava... esperava que chegssemos ao ponto de abrirmos nossos coraes, de revelarmos nossos sentimentos um ao outro.
	Mas ns no revelamos nossos sentimentos. Mesmo enquanto estvamos fazendo amor, ns no mencionamos a palavra amor. Foi preciso um acidente para que eu pudesse entender o que havia dentro desta minha alma. Blair, quando a vi cada, temi por voc. Somente no trajeto at o hospital comecei a me preocupar com o beb. As pessoas do pronto-socorro a atenderam, e s o que pude fazer foi rezar.
	Chegue mais perto.  Brad ergueu-se e sentou-se na beira da cama.  Meu amor...  ela disse com suavidade, com emoo.  Voc pediu que eu no me culpasse. Agora peo o mesmo a voc. Nenhum de ns poderia ter previsto o que aconteceu, e ns dois precisamos parar de pensar em culpa.
Ela viu as lgrimas nos olhos dele e sentiu os seus rasos d'gua.
Ele a abraou e juntos choraram at sentir a alma limpa, at sentir que poderiam suportar juntos aquele momento doloroso.
	Ns vamos ter outros filhos  Brad disse com alguma dificuldade.  Eu a amo tanto, Blair.
	Sim, meu amor.
Ela precisava consolar Brad; no podia suportar sua infelicidade. Em seu corao, a dor pela pequena vida que ocupara seu corpo por to pouco tempo jamais desapareceria. Determinadas coisas uma mulher jamais esquece.
Brad tambm no esqueceria; ambos sabiam disso. Por outro lado, da tragdia brotara o amor, o verdadeiro amor que sentiam um pelo outro.
Eles enxugaram seus olhos com lenos de papel e tentaram sorrir.
	Vamos esperar at que voc se recupere; ento, iremos nos casar, meu amor!
	Vamos convidar nossas famlias para o casamento.
	Vamos convidar todos.
	Brad Barclay, vou am-lo para o resto de minha vida.
	Eu tambm, querida. Agora e sempre.
Blair acomodou-se na cama, sorrindo suavemente para o seu amado.
	Tudo agora vai dar certo  ela murmurou.
E sabia que falava a verdade.

EPLOGO

Blair estacou, com os olhos arregalados, dian-' te da tenda colorida.
	Algo errado?  Brad abraou sua mulher, preocupado.  Voc est bem?
Blair estava paralisada. Aquele era o mesmo parque de diverses que visitara Montana no vero?
Ela e Brad passavam a lua-de-mel na Califrnia. Estavam casados h exatos cinco dias, e raramente saam da sute de luxo do Hotel Pacific King.
At que, para variar, alugaram um carro para passear pelas praias. Brad avistou da estrada o parque de diverses, e insistiu em parar para se divertirem um pouco. J haviam caminhado bastante em meio s pessoas, comido guloseimas e conhecido todas as atraes. Estavam j voltando para o carro, quando Blair viu a tenda.
	Blair?
Ela sentia a preocupao na voz de Brad. Depois do acidente, havia momentos em que um dos dois caa em um silncio melanclico. Ento, rapidamente cada um tratava de animar o outro. Mas no era esse o silncio em que Blair mergulhara.
Aquela tenda... Impossvel ignorar a coincidncia.
	Estou bem, meu amor  ela murmurou.  Mas acho que vou pedir a Madame Morova que leia minha sorte. Voc se importa?
Aliviado porque sua esposa no estava deprimida, Brad soltou uma gargalhada.
	Voc no acredita nessas coisas, acredita?
	No tenho certeza. Quer me esperar aqui fora? No vou me demorar.
Ele sorriu com indulgncia.
	Claro, v em frente. Vou tomar um caf naquela barraca ali adiante.
Blair beijou seu marido no rosto.
	Obrigada. Eu o amo muito.
Ele a segurou pela cintura e deu-lhe um abrao apaixonado.
	Eu tambm.
Ento, Blair se dirigiu  bilheteria diante da tenda, pagou e entrou.
Os panos pendentes fizeram-na lembrar-se do primeiro encontro com Madame Morova; como antes, os sons exteriores desapareceram quando ela penetrou no interior da tenda. Embora houvesse pouca luz, Blair conseguiu distinguir as cores dos panos: violeta, carmim, azul profundo e cinza-perolado. Havia perfume no ar, como um incenso. Algo suave e repousante.
	Por favor, sente-se  mesa.
Blair voltou-se na direo da voz e viu Madame Morova surgir das sombras. Com maquiagem to carregada quanto da primeira vez, a cigana parecia ter ainda mais correntes douradas ao redor do pescoo.
Com um olhar cauteloso, Blair sentou-se. Madame Morova ocupou a outra cadeira e pousou suas mos sobre a mesa, com as palmas para cima.
	Coloque suas mos sobre as minhas.
Blair observou as longas unhas pintadas e os clios postios enquanto colocava as mos sobre as dela. A sua razo lhe dizia que Madame Morova era uma farsa, uma mulher esperta o suficiente para fabricar histrias mirabolantes com as pequenas pistas que seus clientes lhe forneciam inadvertidamente. Ela poderia, por exemplo, vendo o anel na mo esquerda de Blair e percebendo o brilho em seu olhar, concluir facilmente que acabara de se casar.
Contudo, como aquela cigana poderia ter previsto com exatido.que Blair conheceria Brad e se casaria com ele?
	Voc j esteve em minha tenda  Madame Morova disse suavemente.
Desconcertada, Blair empertigou-se na cadeira.
	Hum... sim.
	Passou por uma terrvel provao h muito pouco tempo.
Blair engoliu em seco e fez meno de falar.
	Por favor, no diga nada.  A mulher fechou os olhos.
Com os seus bem abertos, Blair a fitou atentamente.  Apesar da tristeza, voc est em paz. Sua vida est cheia de entusiasmo, cheia de vida. Voc viajou recentemente e voltar a viajar dentro em breve.
Depois de um momento de silncio, a mulher abriu os olhos e disse:
	No estou vendo nada incomum em seu futuro. Portanto, permitirei que voc me faa uma pergunta. H algo que gostaria de saber?
Blair permaneceu sentada. As mos da cigana eram macias e mornas. O perfume e a atmosfera silenciosa da tenda eram tranquilizantes. As declaraes de Madame Morova a respeito da viagem, da recente tristeza e do presente estado de esprito de Blair foram bastante convincentes. Alm disso, a cigana tambm previra que ela conheceria Brad, e que se casariam durante o outono.
Contudo, a nica pergunta que Blair queria fazer tocava tanto seu corao que ela hesitou, por puro medo. Uma resposta negativa a deixaria desolada, e no queria sair daquela tenda e voltar para Brad deprimida.
	Voc est pensando em algo que a faz sofrer, no ?  Disse a cigana.
	Sim  Blair sussurrou.  Eu... eu tive um aborto.
	Eu entendo. Quer saber se ter outros filhos.
Novamente a cigana fechou os olhos e se concentrou.
Blair esperou com ansiedade, inclinando o corpo na direo da mesa. Sentia-se j arrependida. Um mdico era a pessoa indicada para tratar do assunto, no uma cigana num parque de diverses.
Contudo, ela permitiu que Madame Morova se concentrasse profundamente. Em poucos segundos, a mulher comeou a falar.
Apoiado contra a grade de ferro ao redor da montanha-russa, Brad observava as pessoas enquanto tomava seu caf. Colorado e Montana tinham seus personagens estranhos, mas nada se comparava  Califrnia, ele pensou, rindo-se. Um rapaz que passara por ele tinha o cabelo roxo. Trs garotas adolescentes passaram rindo por ele; uma delas tinha raspado totalmente os cabelos, outra os raspara ao redor das orelhas, e a terceira descolorira o cabelo em tiras que chegavam at a cintura. Claro, tambm havia gente normal. Muitas famlias, muitas crianas.
	Oi, anjo!
Brad virou-se e viu Blair a seu lado.
	Oi, querida!  Ele sorriu. - J sabe de todos os segredos de seu futuro?
	Antes de responder, preciso lhe contar algo que me aconteceu h alguns meses.
Pegando Brad pelo brao, ela o conduziu at o estacionamento.
	Este parque de diverses esteve em Montana no ltimo vero. Eu s o reconheci depois que vi a tenda de Madame Morova. De qualquer forma, naquela ocasio eu permiti que ela lesse a minha sorte e...
	A mesma mulher?
	A mesma. No  assustador? Quero dizer, c estamos ns, na Califrnia, tendo planejado esta viagem h apenas duas semanas.

	Assustador  Brad repetiu, fingindo estar aterrori zado, e com um brilho maroto nos olhos.
	Sei que voc no est impressionado, e que no acredita em gente que l a sorte; mas talvez fique um pouco menos ctico depois de ouvir o que ela me contou em Montana.
Eles j haviam chegado ao carro alugado. Brad destravou a porta do passageiro e Blair entrou, enquanto ele dava a volta no carro para sentar-se ao volante. Como o carro estivesse abafado, eles abaixaram as janelas. Brad voltou-se na direo de Blair.
	Conte-me o que ela lhe disse em Montana.
	Prometa que no vai rir.
	Tem a minha palavra.
Blair tomou flego.
	Bem, naquela poca, ns ainda no nos conhecamos. Eu fui at a tenda e ela me pediu que colocasse minhas mos sobre as dela.  Blair imitou o gesto.  Foi o que eu fiz. Eu sabia que ela iria sentir o meu anel de noivado, mesmo que no estivesse olhando.
	A aliana de Derek  Brad disse calmamente.
Blair olhou-o nos olhos.
	Derek estava do lado de fora, esperando. Na verdade, foi por insistncia dele que entrei na tenda.
	Por que ele fez isso?
	S para se divertir, com certeza. Por favor, no fique chateado porque mencionei Derek.
	No estou nem um pouco chateado, anjo. Continue a histria.
Blair apertou a mo do marido.
	Bem, eu sabia que a cigana estava sentindo a aliana; quando ela comeou a falar a respeito de um casamento em meu futuro, eu achei que tinha matado a charada. Porm, ela no estava falando sobre meu casamento com Derek. Ela disse que eu iria me casar com um homem atraente, de cabelos escuros, e que o casamento seria no outono. Eu fiquei irritada e disse que meu noivo era loiro, e que me casaria no vero. Ento, ela me disse que eu ainda no havia conhecido o homem com quem iria me casar.
Brad ficou imvel.
	E quando exatamente isso aconteceu?
	Cerca de uma semana antes de eu conhecer voc.
	E coincidncia, Blair. S pode ser.
	Acha mesmo? Bem, eu fiquei impressionada. Depois que voc bateu em meu carro, ento... conheci um estranho atraente, de cabelos escuros.
Brad olhou-a com uma expresso sria.
	Voc realmente me achou atraente naquela primeira vez?
	Eu achei voc devastadoramente atraente... o homem mais atraente que eu j conheci.
Brad aproximou-se e abraou sua mulher, para ento beij-la sensual e profundamente. Ao mesmo tempo, suas mos comearam a subir por debaixo da saia curta. Blair afastou-se o suficiente para poder sussurrar:
	No se esquea de onde estamos, amor.
	J est na hora de voltarmos para o Pacific King e para aquela cama king-size.
	Concordo...
Brad afastou-se a contragosto, e deu a partida. Manobrando o carro pelo estacionamento, ele perguntou a Blair:
	Ento, voc acha que a cigana  paranormal?
	No me arriscaria a dizer isso. At t-la conhecido, jamais acreditara em ocultismo; mas tudo o que ela me disse naquele dia transformou-se em realidade.

	E hoje, o que ela lhe disse?
Blair abafou uma gargalhada.
	No sei se voc est preparado para saber disso.
	No me deixe ansioso, anjo.
	Est bem: Segundo ela, teremos sete filhos!

	Como?  Com a expresso assustada de Brad, Blair no conseguiu mais segurar o riso.  Blair, no sei se estou achando isso engraado.
	Acho que voc est comeando a acreditar...
	Ela disse sete? Tem certeza?
	E a mais pura verdade.
Entrando no estacionamento do Pacific King, Brad estacionou em uma vaga prxima do seu chal.
	A ideia deixa voc feliz, no , querida?
	A ideia me deixa nas nuvens, Brad.
	Voc  to linda...  Ele a acariciou no rosto, suspirando.
	Se quer sete filhos, ento teremos sete filhos. Vamos entrar e comear a trabalhar no nmero um agora mesmo.
	Nos nmeros um, dois e trs. A crer nas previses de Madame Morova, os nossos primeiros trs sero trigmeos.
	Brad empalideceu diante dos olhos da mulher.  Que rido, no momento no me importo com quantos filhos vamos ter, contanto que ns sejamos abenoados pelo menos com um. E, afinal, Madame Morova  apenas uma cigana em um parque de diverses.
Eles se contemplaram com ternura.
	Ela pode estar certa, pode estar errada... O que importa, meu amor,  que tenho voc; e isso faz de mim o homem mais feliz do mundo.
Ela sorriu serenamente.
	Ento voc ser feliz. Hoje e sempre.

FIM

